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Reflexões de Fidel - O G-20, o G-21 e o G-192

• COMO se não existissem causas suficientes para enlouquecer, a proliferação de siglas com motivo da crise multiplica-se de maneira tal, que ninguém as entende. A primeira foi a do G-20, grupo seleto que pretendeu representar todos em Washington; a segunda, o grupo também seleto de Apec, que se reuniu em Lima; ali estavam presentes o país mais rico, Estados Unidos, no primeiro lugar, com um PIB per capita de US$45 mil anuais, e o que ocupa ao redor do 100º lugar, a República Popular da China, com US$2.483, o maior investidor em Bônus do Tesouro daquele país.

O G 192 é como o presidente Leonel Fernández, da República Dominicana, que não está em nenhum dos dois, denomina tal grupo, aludindo à cifra dos membros das Nações Unidas numa conferência econômica com a participação de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel dessa ciência.

George Soros, grande magnata de origem húngara e cidadão americano, imensamente rico, ouvia, entre outras personalidades importantes.

É tarefa de enxadristas perscrutar os argumentos de tão diversos interesses nacionais e empresariais dos grupos G-20 e G-21.

Acontece que, se um país do Terceiro Mundo assina ao mesmo tempo acordos de livre comércio com oito ou dez países desenvolvidos ou emergentes, entre os quais, alguns se caracterizam por ser produtores tradicionais de mercadorias abundantes e atraentes a baixo custo ou produtos industriais sofisticados, como os Estados Unidos, o Canadá, Japão, Coréia do Sul, etc., a indústria nascente de um país em desenvolvimento terá que concorrer com os produtos sofisticados que saem da indústria dos mais desenvolvidos ou das mãos laboriosas de seus poderosos parceiros, um dos quais administra a seu capricho as finanças mundiais. Apenas teriam o papel de produtores de matérias-primas baratas necessárias de grandes investimentos que serão, em todo o caso, propriedade estrangeira com plenas garantias contra veleidades nacionalizadoras. Assim sendo, ficariam com as mãos estendidas aguardando o apoio caridoso ao desenvolvimento, e uma eterna dívida a pagar com o suor de seus filhos. Por acaso não é a mesma coisa que aconteceu até hoje?

Por isso, não hesito em me solidarizar com a posição de Chávez, quando afirma que não concorda com a receita de Lima. Sobram as razões. Observemos o desenrolar dos acontecimentos, exigindo direitos sem nos ajoelharmos.
Fonte: Granma Internacional

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Reflexões de Fidel

Papel de bondoso, à custa de quem?
• QUANDO o governo dos EUA ofereceu hipocritamente US$ 100 mil como ajuda por causa da catástrofe ocasionada pelo furacão Gustav com prévia inspeção in situ para comprovar os danos, responderam-lhe que Cuba não podia aceitar nenhuma doação do país que nos bloqueia; que os prejuízos já tinham sido calculados e o que reclamávamos era que não se proibisse a exportação dos materiais indispensáveis e os créditos associados às operações comerciais.
Alguns no Norte esbravejaram que era incrível a negativa de Cuba.
Quando poucos dias depois o furacão Ike açoitou o país desde Punta de Maisí até o Cabo de San Antonio, os vizinhos do Norte foram ainda mais hábeis.
Adoçaram a linguagem. Falaram de aviões prestes a decolar com produtos, avaliados em US$ 5 milhões; que não era necessário avaliar os danos porque já o tinham feito por outros meios, que não podem ser outros que os de espionar nosso país. Esta vez, com certeza, colocariam o balaço na garganta da Revolução — pensavam — ; se de novo rejeitavam a oferta teriam problemas com a população. Talvez pensaram que ninguém viu as imagens divulgadas pela televisão dos Estados Unidos quando as forças de ocupação da ONU distribuíam alimentos no Haiti à população faminta, através de uma cerca de arame farpado, que resultou até em crianças feridas.
A fome nesse país é fruto do saque histórico e desapiedado dos povos. Nesse mesmo lugar, em Gonaive, nossos médicos arriscavam a vida ajudando a população dessa cidade, como o fazem em quase cem por cento dos municípios dessa nação. Essa cooperação dos médicos cubanos continua no Haiti, como em dezenas de países do mundo, apesar dos furacões.
À nova e astuciosa Nota, respondemos categoricamente: "nosso país não pode aceitar uma doação do governo que nos bloqueia, embora esteja disposto a comprar os materiais indispensáveis que as empresas norte-americanas exportam a outros mercados, e solicita a autorização para o fornecimento dos mesmos, bem como dos créditos que são normais em todas as operações comerciais.
"Se o governo dos Estados Unidos não deseja fazê-lo definitivamente, o de Cuba solicita que, ao menos, o autorize durante os próximos seis meses, especialmente se levam em conta os prejuízos ocasionados pelos furacões Gustav e Ike, e que ainda restam ainda os meses mais perigosos da temporada ciclônica".
Não se fazia com arrogância, porque esse não é o estilo de Cuba. Na própria Nota se pode apreciar como se expressava com modéstia a idéia de que bastava com que se suspendesse a proibição por um período de tempo limitado.
O secretário de comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutiérrez, descartou, sexta-feira, 12 de setembro, a idéia de que se eliminara de forma temporária o bloqueio.
É óbvio que o governo desse poderoso país não pode compreender que a dignidade dum povo não tem preço. A onda de solidariedade com Cuba, que abrange países grandes e pequenos, com recursos e sem recursos, desapareceria o dia em que Cuba deixasse de ser digna. Enganam-se aqueles que em nosso país se contrariam por isso. Se em lugar de cinco milhões fosse um bilhão, a resposta seria a mesma. Os prejuízos em milhares de vidas, sofrimentos e mais de US$ 200 bilhões que tem custado o bloqueio e as agressões ianques, não têm preço.
No relatório oficial parcial explicou-se ao povo que em menos de dez dias o país tinha sido afetado em mais de US$ 5 bilhões. Mas também se explicou que essas cifras se calcularam a preços históricos e convencionais, que nada tinham a ver com a realidade. Não devemos esquecer jamais a explicação esclarecedora de que "os cálculos das perdas nas moradias fizeram-se sobre a base de preços históricos e convencionais, e não sobre os valores reais, a preços internacionais. Basta assinalar que para dispor de uma moradia duradoura, resistente aos fortes ventos, precisa-se dum elemento indispensável que escasseia muito: a força de trabalho. Este elemento se necessita tanto para uma reparação temporária como para uma construção duradoura. E essa força de trabalho há que distribuí-la em todos os centros de produção e serviços, alguns significativamente afetados; por tal motivo, o valor real de uma moradia no mundo e a amortização do investimento correspondente, é muitas vezes superior".
O golpe da natureza foi contundente, mas também é alentador saber que não haverá trégua nem descanso em nossa luta.
A crise econômica que atinge os Estados Unidos e, como conseqüência, os demais povos do mundo, não tem resposta definitiva; contudo, sim a tem, os desastres naturais em nosso país e qualquer tentativa de fixar-lhe preço a nossa dignidade.
Fidel Castro Ruz
16 de setembro de 2008
19h54 •

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REFLEXÕES DE FIDEL - Sob o assédio dos furacões




AINDA não nos tínhamos recuperado do impacto emocional e dos prejuízos materiais ocasionados pelo furacão Gustav na Ilha da Juventude e em Pinar del Río, com ventos de força inusitada, quando começaram a chegar notícias da subida do mar ocasionada por Hanna, e ainda pior: o furacão de grande intensidade Ike, virando para o sudoeste, devido à pressão de um forte anticiclone no norte de sua trajetória, vai atravessar mais de mil quilômetros ao longo de todo o território nacional.
Isto significa, finalmente, que todo o país será atingido pelos três furacões, e alguns pontos, duas vezes.
Onde ficará um cacho de bananas, uma fruta ou os vegetais de uma horta intensiva? Onde ficará uma plantação de feijões e de outros grãos? Onde ficará um campo de arroz ou de cana? Onde ficará um aviário, um centro de criação de suínos ou de bovinos? A nação toda agora está no que na guerra é chamado de alarme de combate.
Os problemas expostos na reflexão, em que qualificava Gustav de golpe nuclear, se multiplicaram. Os princípios que devem guiar nossa conduta continuam sendo os mesmos, apenas precisamos fazer esforços incomparavelmente maiores.
A Defesa Civil não perdeu um só minuto. Os que ocupam responsabilidades no Partido e no governo, foram mobilizados em toda parte. Os dirigentes devem exigir disciplina, conter emoções e exercer autoridade. A televisão, a rádio e a imprensa escrita assumem uma grande responsabilidade no exercício de sua tarefa de informarem.
O mundo tem observado com admiração a conduta de nosso povo face aos embates de Gustav. Enquanto os inimigos se esfregavam cinicamente as mãos, os amigos, como ficou evidenciado, são muitos e estão decididos a cooperarem com nosso povo. As sementes de solidariedade espalhadas durante muitos anos frutificam por toda parte. Aviões russos e de outros países chegaram rapidamente de milhares de quilômetros de distância com produtos, que são avaliados, não por seu volume ou seu preço, mas por seu significado. Doações de pequenos Estados como Timor-Leste, mensagens de países importantes e amistosos como a Rússia, Vietnã, China e outros, expressaram a disposição de cooperar tudo quanto possível nos programas de investimentos que devemos implementar de imediato para restabelecer a produção e desenvolvê-la.
A irmã República Bolivariana da Venezuela e seu presidente, Hugo Chávez, adotaram medidas que constituem o mais generoso gesto de solidariedade que recebera nossa pátria.
Acho que por muito duros que forem os golpes recebidos e por receber, nosso país tem condições de salvar vidas de cubanos, e as famílias receberão ajuda material e alimentar o tempo necessário, até recuperarmos no mais curto espaço de tempo possível a capacidade de produzir alimentos. Essa ajuda não vai ser igual para todos os municípios, porque os prejuízos não foram iguais em todos eles nem é igual o tempo que cada um precisa para se recuperar.
Neste momento, todos estamos sob o assédio dos furacões. Mais que nunca antes se impõe a racionalidade e a luta contra a dilapidação, a vadiagem e a acomodação. É preciso agir com absoluta honestidade, sem demagogia nem concessão alguma à fraqueza e ao oportunismo. Os militantes revolucionários têm que ser exemplo. Devem dar e receber confiança. Dar tudo pelo povo, até a vida se preciso.





Fidel Castro Ruz
7 de setembro de 2008
17h29

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REFLEXÕES DE FIDEL - 4° Frota de Intervenção


Há algum tempo Fidel lançou uma reflexão sobre a 4° Frota de intervenção dos Estados Unidos, que tem por objetivo, segundo fontes ligadas ao governo do império, de combater o narcotráfico na América Latina, realizar ajuda humanitária e exercícios militares conjuntos com aliados.
Por conhecidência pouco depois de o Brasil descobrir grandes jazidas de petróleo a 300 km da costa marítima do Brasil, inúmeras discussões sobre a Amazônia ser patrimônio da humanidade.
E em um momento, histórico único na América Latina onde governos progressistas tentam seguir uma linha contrária a do império, em defesa de soberania, integração e paz.
Essa reflexão é um pouco grande, mas deve ser lida, a cada dia os E.U viram mais seus olhos para Nossa América em especial para a Amazônia, não podemos esquecer as décadas de ditaduras implantadas por eles e que tivemos de enfrentar ao custo de milhares de vidas. Menos ainda que há anos sob a justificativa de armas químicas, que nunca existiram, massacram o povo iraquiano em busca de seus recursos naturais.



ENQUANTO elaborava uma reflexão sobre as relações de McCain com a máfia terrorista anti-cubana de Miami e outros temas que se relacionam, de interesse histórico, chegaram notícias sobre esse personagem que os falcões do império projetam como substituto de Bush: sua visita à Colômbia e ao México, que iniciará amanhã. Não é possível pô-las de lado, porque, de fato, confirmam as opiniões que, até agora, sustentamos. "McCain estará dois dias na Colômbia a partir de amanhã, terça-feira, e depois viajará para o México", segundo informa o jornal panamenho La Prensa.
"A IV Frota dos Estados Unidos patrulha novamente as águas latino-americanas", publica El Clarín, o órgão de imprensa de maior circulação na Argentina, "nesta oportunidade sob o comando do contra-almirante Joseph Kernan. O currículo de Kernan, até agora máximo chefe do Comando de Tácticas Especiais de Guerra Naval, não é menos preocupante", comenta o diário. "O marinheiro pertence ao grupo SEAL, um comando de elite com homens escolhidos para as mais difíceis operações especiais, preparados para agirem nas condições mais adversas e exigentes. Operaram no Vietnã, Camboja e Laos. A escolha de Kernan para a IV Frota, segundo admitiu o próprio Pentágono, é absolutamente inusual..." "Além do mais, com esta decisão, o Comando Sul ganhou a mesma importância que o Comando Central que opera com a V Frota no Golfo Pérsico."
"Quais as razões dos Estados Unidos para enviar uma força naval tão poderosa para uma região em paz, sem poderio nuclear, sem conflitos nem ameaças militares reais?" pergunta o jornal. "Jamais vão admitir que é por causa dos recursos naturais, mas não é coincidência que esta decisão apareça quando começa uma mudança estrutural da economia mundial, na qual as reservas de água doce, os alimentos e os recursos energéticos ganham posição como um valor estratégico importante", responde o professor Khatchik der Ghougassian, especialista em temas de segurança da Universidade argentina de San Andrés.
O professor acrescenta que "não ocultam a grande importância que têm os mares do sul do Hemisfério Ocidental e admitem que será aumentada a capacidade de atuar, portanto, a IV Frota supervisará navios e aviões, incluindo os civis e comerciais, que naveguem pelo sul dos Estados Unidos".
"James Stavridis, o atual chefe do Comando Sul", prossegue El Clarín, "acrescentou ao narcotráfico, a luta contra o terrorismo e a possibilidade de responder à migração em massa de refugiados de países como o Haiti ou Cuba. James Stevenson, comandante da Marinha do Comando Sul, precisou que seus navios chegarão até o grande sistema de rios na América do Sul, navegando pelas águas marrons ainda mais do que pelas tradicionais águas azuis. Isto é, um amplo controle no interior do território latino-americano." O Comando Sul desenvolve uma atividade social, como distribuição de alimentos ou medicamentos, que lhe permite convencer o Congresso norte-americano de que esta intervenção é justificada", acrescentou o jornal argentino.Por seu lado, El Universal, do México, sob o título "John Mc Cain irá da Basílica a Iztapalapa", publica:"John Mc Cain não viajará ao México só para fazer política. Ou talvez não apenas política partidária. O candidato republicano visitará a Basílica de Guadalupe. “Também visitará um dos bairros corajosos da Cidade do México.”
"A visita que McCain fará à Colômbia e ao México mantém sua equipe de colaboradores trabalhando horas extras, inclusive os fins de semana" — comenta o jornal. "No sábado à noite, um evento que estava organizado como brinde de despedida, após o encerramento da Conferência Nacional da Associação de Oficiais Latinos Eleitos (NALEO, por suas siglas em inglês), converteu-se numa mesa de discussões sobre o alcance de sua viagem à América Latina... acordará cedo para participar de uma entrevista com o noticiário da Televisa. Depois irá para o norte da cidade, onde fará uma visita de meia hora à Basílica de Guadalupe... participará de um almoço com membros da Câmara Americana do Comércio no México. Mais tarde terá um encontro com empresários mexicanos e estadunidenses... terminará com uma visita ao bairro de Iztapalapa, onde conhecerá das estratégias de combate ao crime organizado e a favor da unidade comunitária."
Enquanto são inúmeros os comentários a respeito do candidato republicano, no sul da Flórida há assentadas 52.521 pessoas com mais de um milhão de dólares, segundo o último relatório detalhado de uma importante entidade pesquisadora. Quase todos os capitais provieram da América Latina.
McCain, homem que não é conhecido como piedoso acha que rezando na Basílica de Guadalupe enganará católicos, protestantes, brancos, negros, índios e mestiços, nos países onde, ao contrário, a pobreza extrema cresce dia após dia.O jornal Granma publicou hoje em sua primeira página: "Nos Estados Unidos multam linha aérea por violar bloqueio contra Cuba", entretanto um órgão de imprensa mexicano fala que por volta de 57 mil cubanos chegaram a esse país entre 2005 e 2007. Como é sabido, 20 mil cubanos de diversas idades, à exceção daqueles que cumprem algum dever social ineludível, são legalmente autorizados todos os anos a emigrarem para esse país; viajam de forma segura, tanto crianças quanto adultos receberam educação e gozam de boa saúde. É um sacrifício que, em favor da reunificação familiar, Cuba oferece.
Aqueles que, atraídos pela cínica Lei de Ajuste Cubano, o fazem diretamente ou por terceiros países, de maneira clandestina ou sob qualquer manto legal, não só cometem uma falta desprezível de ética, mas privam a economia de nosso país, de especialistas e pessoas qualificadas. É o roubo descarado de cérebros e de braços produtivos que nossa pátria, em sua luta heróica, está no dever de combater firmemente.Nos próximos dias publicarei a reflexão que tinha preparada. Vale a pena conhecer a verdadeira história.
Fidel Castro Ruz

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Reflexões de Fidel - Os Estados Unidos, a Europa e os direitos humanos

A desprestigiada forma de suspender as sanções a Cuba que acaba de adotar a União Européia em 19 de junho foi abordada por 16 despachos internacionais de imprensa. Não implica em absoluto conseqüência econômica alguma para o nosso país. Pelo contrário, as leis extraterritoriais dos Estados Unidos e, portanto, seu bloqueio econômico e financeiro continuam plenamente vigentes. Na minha idade e no meu estado de saúde, não se sabe o tempo que se vai viver, mas desde agora desejo confirmar meu desprezo pela enorme hipocrisia que encerra tal decisão. Isto fica ainda mais evidente quando coincide com a brutal medida européia de expulsar os imigrantes não autorizados procedentes dos países latino-americanos, nalguns dos quais a população em sua maioria é de origem européia. Os emigrantes são, ademais, fruto da exploração colonial, semicolonial e capitalista.De Cuba, exigem, em nome dos direitos humanos, a impunidade dos que pretendem entregar a pátria e o povo, de pés e mãos atados, ao imperialismo. Até as próprias autoridades do México têm que reconhecer que a máfia de Miami, a serviço do governo dos Estados Unidos, arrebatou pela força ─ ou comprou ─, a um importante contingente de agentes migratórios desse país, dezenas de imigrantes ilegais detidos em Quintana Roo, entre eles, crianças inocentes transportadas à força por arriscados mares e até mães forçadas a emigrar. Os traficantes de pessoas como os de drogas, que têm a seu dispor o maior e mais cobiçado mercado do mundo, colocaram em risco a autoridade e a moral de que necessita qualquer governo para dirigir o Estado, derramando sangue latino-americano por todas as partes, sem contar os que morrem por emigrar através do humilhante muro fronteiriço sobre o que foi território do México.A crise dos alimentos e da energia, as mudanças climáticas e a inflação acossam as nações. A impotência política reina, a ignorância e as ilusões tendem a generalizar-se. Nenhum dos governos, e menos ainda os da República Checa e da Suécia, que eram renitentes à decisão da União Européia, poderiam responder de forma coerente às interrogantes que estão sob o tapete.Enquanto isso, em Cuba os mercenários e vende-pátrias a serviço do império se descabelam e se rasgam em defesa dos direitos à traição e à impunidade.Tenho muitas coisas que dizer, mas por hoje chega. Não desejo incomodar, mas vivo e penso.Divulgarei esta Reflexão só pela Internet, hoje, sexta-feira, 20 de junho de 2008.
Fidel Castro

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Reflexões de Fidel



Em mais uma de suas reflexões, Fidel lembra a ameaça cada vez maior representada pelo império do norte que novamente vira seus gananciosos olhos para a Nossa América.


A 4ª Frota de Intervenção dos Estados Unidos surgira em 1943, para combater os submarinos nazistas e proteger a navegação durante a 2ª Guerra Mundial. Foi desativada em 1950, como desnecessária: o Comando Sul supria as necessidades hegemônicas dos EUA nesta área. No entanto, 48 anos depois, acaba de renascer, e não é preciso demonstrar seus fins intervencionistas. Os próprios chefes militares o divulgam em suas declarações, de forma natural, espontânea e até direta.
Por Fidel Castro*



As preocupações com os problemas do preço dos alimentos, da energia, do intercâmbio desigual, da recessão econômica no mercado mais importante para seus produtos, da inflação, das mudanças climáticas e dos investimentos requeridos por seus sonhos consumistas consomem o tempo e as energias de dirigentes e dirigidos.
O real é que a decisão de restabelecer a 4ª Frota foi anunciada na primeira semana de abril, um mês depois que o território do Equador foi atacado por bombas e tecnologia dos Estados Unidos, e por pressão destes, matando e ferindo cidadãos de diversos países, o que causou profunda repulsa entre os líderes latino-americanos na reunião do Grupo do Rio, que teve lugar na capital da República Dominicana.
Pior ainda: o fato ocorre quando é quase unânime o repúdio à desintegração da Bolívia promovida pelos EUA. Os próprios chefes militares explicam que terão sob sua responsabilidade mais de 30 países, cobrindo 15,6 milhões de milhas quadradas nas águas adjacentes à América Central do Sul, Mar do Caribe com suas 12 ilhas, México e os territórios europeus deste lado do Atlântico.
Os EUA possuem dez porta-aviões do tipo Nimitz, cujos parâmetros a grosso modo são: deslocamento de 101 mil a 104 mil toneladas de carga máxima; convés de 333 metros de comprimento e 76,8 metros de largura; dois reatores nucleares; velocidade que pode chegar a 56 quilômetros por hora; e 90 aviões de guerra. O último deles leva o nome de George H. W. Bush, pai do atual presidente; já foi batizado com champanhe pelo próprio homenageado; dentro de dois meses deve estar pronto para se somar às outras naves.
Nem um só país do mundo possui um único navio semelhante a estes, todos equipados com sofisticadas armas nucleares, que podem se aproximar até poucas milhas de qualquer um dos nossos países. O próximo porta-aviões, o USS Gerald Ford, será de novo tipo: tecnologia Stealth invisível a radares e armas eletromagnéticas.
A principal armadora de ambos os modelos é a Northrop Grumman, cujo atual presidente também faz parte da junta diretora da petroleira estadunidense, a Chevron-Texaco. O custo do último Nimitz foi de US$ 6 bilhões, sem incluir os aviões, os mísseis e os gastos operacionais, que também podem subir a bilhões. Parece um conto de ficção científica. Com esse dinheiro seria possível salvar a vida de milhões de crianças.
Qual é o objetivo declarado da 4ª Frota? ''Combater o terrorismo e as atividades ilícitas, como o narcotráfico''. Assim como enviar um recado à Venezuela e ao resto da região. Anuncia-se que ela entrará em operação no próximo 1º de julho.O chefe do Comando Sul dos EUA, almirante James Stavrides, declarou que seu país precisa trabalhar com mais força no ''mercado das idéias, para ganhar os corações e mentes'' das populações da região.
Os EUA contam com a 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e 7ª frotas, deslocadas para o Atlântico Ocidental, Pacífico Oriental, Oriente Médio, Mediterrâneo e Atlântico Oriental, Pacífico Ocidental. Só faltava a 4ª Frota para patrulhar todos os mares do planeta.Total: nove porta-aviões Nimitz, em atividade ou muito perto de entrar em plenas condições de combate, como o George H. W. Bush. Dispõe de uma reserva suficiente para triplicar ou até quadruplicar o poderio de qualquer uma de suas frotas em determinado teatro de operações.
Os porta-aviões e bombas nucleares que ameaçam nossos países servem para semear o terror e a morte, mas não para combater o terrorismo ou as atividades ilícitas. Deveriam servir também para envergonhar os cúmplices do império e multiplicar a solidariedade entre os povos.


* Reflexão do líder histórico da Revolução Cubana, publicada nesta segunda-feira pelo Granma
Fonte: Vermelho

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Reflexões de Fidel

Logo após Fidel Castro decidir não concorrer mais a presidência do Conselho de Estado de Cuba por não ter mais condições físicas de exercer tal função, afirmou que se tornaria um soldado das idéias. Públicando periodicamente reflexões sobre os mais variados temas. Nessa semana lançou uma reflexão que fala da guerra no Iraque e também da crise econômica dos E.U. Como sempre mais uma grande demonstração de lucidez política do Comandante, que achei innteressante para ser postada aqui no Blog.


A viagem triunfal

AS agências noticiaram rapidamente. As notícias não são risíveis, mas irônicas. Cada um disse sua parte. Houve uma competição, isto é, competiram. Também chegaram imagens fílmicas de Dick Cheney, o autor intelectual, e de seu discípulo McCain; aparecem disciplinadamente entre numerosas pessoas, numa espécie de sala de aulas com cadeiras simples, onde se encontra todo o tipo de chefes treinados na arte de matar. Empregarei frases simples e algumas opiniões de alunos, professores, repórteres e instituições que refletem a crua realidade.

Do próprio discurso de Cheney, televisionado pela onipresente CNN, foram extraídas as seguintes palavras:

"Temos progredido na frente da segurança, mas também no governo."

"Quando a gente vem aqui, depois de vários anos, e constata como se desenvolveram os acontecimentos ―de fato, nesta semana é o quinto aniversário da guerra lançada em março de 2003―, muitas coisas boas passaram e não apenas nos últimos 15 meses."

"O nível de violência e de baixas militares, bem como de civis diminuiu muitíssimo, portanto, isso tem sido um grande sucesso."

"Foram anos difíceis, porém tivemos sucesso naquilo que fizemos e o esforço valeu a pena."

"Alegro-me de estar aqui, e estou muito contente de voltar a Washington na semana próxima para informar ao presidente sobre o importante avanço que conseguimos no Iraque."

Respondendo a uma pergunta, disse:

"Eu acho que o fato de que o presidente tenha tomado a decisão que tomou há mais de um ano, de não reduzir o número de forças no Iraque, mas, ao contrário, aumentá-lo e adicionar cinco unidades de combate, descarta qualquer idéia de a gente esperar, que quer seja aqui, no Iraque, na região, que vamos embora."

"A gente tem certeza de que estamos aqui para ficarmos e terminarmos a missão."

"Temos o benefício de um ano de êxitos. Eu acho que os estadunidenses podem falar de que o que está acontecendo no Iraque é um sucesso."

Às 9h50, foi interrompida a transmissão para informar sobre o dicurso de Bush a respeito do estado da economia.

"Neste momento estamos lidando com uma situação difícil", declarou o presidente.

A transmissão foi novamente interrompida e o repórter acrescenta que "o presidente Bush disse que os Estados Unidos estão controlando a situação da economia, que está em crise, mas tudo está sob controle. Pelo menos essas foram as palavras do presidente estadunidense".

Neste momento, Alan Greenspan publicava no Financial Times, "A actual crise financeira nos Estados Unidos será julgada como a mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Esta crise deixará numerosas vítimas." Acrescente-se a isso que, enquanto Bush falava, o preço do ouro atingia US$1.023,68 cada onça Troy e US$112, um barril de petróleo.

As notícias se amontoam.

"Segunda-feira, 17 de março de 2008. Milhões de iraquianos têm pouco ou nenhum acesso à água potável ou aos serviços médicos e sanitários cinco anos depois da invasão dos Estados Unidos, segundo um relatório da Cruz Vermelha", transmite a BBC Mundo e continua:

"A situação humanitária no Iraque está entre as mais críticas do mundo."

"Milhões de pessoas ficam abandonadas à sorte."

"Algumas famílias gastam a terça parte de seu salário médio mensal, de US$150 dólares, em comprar água potável."

"Os serviços médicos no Iraque são agora pior que antes e os serviços disponíveis são caros demais."

"Os hospitais do Iraque carecem de pessoal qualificado e de medicamentos básicos, os hospitais públicos têm apenas 30 mil leitos, quando eles precisam de 80 mil."

"Muitos dos mortos, vítimas do atual estado de violência, jamais foram identificados."

"O fato de existir mais segurança nalguns lugares do Iraque não deve distrair a atenção da situação extrema em que vivem milhões de pessoas que foram essencialmente abandonadas à sorte."

Um relatório de Anistia Internacional, divulgado pela DPA, adverte:

"As violações dos direitos humanos são constantes em todo o país, onde milhões de iraquianos dependem da ajuda humanitária para sobreviverem."

"Foram investidos milhões de dólares em segurança, mas dois em cada três iraquianos não têm acesso à água potável, e quase um em cada três ― uns oito milhões de pessoas ― depende da ajuda de emergência."

"Não se sabe com certeza o número exato de pessoas assassinadas no Iraque desde a invasão estadunidense em março de 2003."

"Os julgamentos que realizam são habitualmente injustos, com confissões de culpabilidade obtidas presumivelmente sob tortura."

Por outra parte, a agência ANSA informa:

"O vice-presidente estadunidense, Dick Cheney, se reuniu hoje em Bagdá com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al-Maliki, ao passo que uma série de explosões sacudiu a capital iraquiana deixando um saldo de dois mortos e alguns feridos."

"Cheney se reuniu, além do mais, com o candidato republicano às eleições presidenciais estadunidenses de novembro, John McCain, que chegou no domingo, também de supresa, ao Iraque."

"Pouco depois da chegada de Cheney, houve uma violenta explosão no centro de Bagdá, ao que parece, um disparo de morteiro lançado contra a Zona Verde de máxima segurança da capital, onde estão as embaixadas e os principais prédios governamentais."

"O general Kassim Atta, porta-voz das operações de segurança em Bagdá, declarou que uma terceira bomba estourou hoje contra um carro civil na praça de Tahariyat, na zona central do bairro Karrada, deixando um saldo de um civil morto e três feridos."

A agência norte-americana AP afirma que:

"Explosões abalaram esta capital na segunda-feira, durante a visita do virtual candidato presidencial republicano e do vice-presidente, Dick Cheney."

"Helicópteros artilhados sobrevoaram o centro de Bagdá e a fortificada Zona Verde, onde se encontra a sede do governo iraquiano e as embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, mas não se ofereceram inicialmente detalhes sobre a causa das explosões."

"O vice-presidente realiza sua terceira visita ao Iraque, onde os Estados Unidos têm uma força de 160 mil soldados e já morreram quase quatro mil efetivos seus."

"McCain, que apostou seu futuro político no êxito militar dos Estados Unidos no Iraque, reuniu-se na segunda-feira com o primeiro-ministro, Nuri Al-Maliki, pouco antes de que o líder iraquiano conversasse separadamente com Cheney."

"Al-Maliki disse que ele e o vice-presidente discutiram as atuais negociações sobre um acordo de segurança a longo prazo entre ambos os países."

"A embaixada dos Estados Unidos em Bagdá disse que não podia confirmar versões de que a Zona Verde havia sido atacada com mísseis, após a chegada de Cheney."

Mais adiante, a DPA informa e acrescenta:

"Um atentado triplo matou hoje duas pessoas e feriu outras sete na capital iraquiana, Bagdá, horas depois da chegada de improviso do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney."

"A primeira bomba explodiu contra uma patrulha da polícia no bairro ocidental de Mansur. Um agente morreu e outro foi ferido."

"Uma segunda explosão no bairro de Zayuna causou ferimentos a três civis, e no centro da cidade, um civil perdeu a vida e outros três foram feridos, informou o general Kassim Atta."

Mas isso não aconteceu apenas na capital iraquiana:
"Para 42 vítimas mortais e 58 feridos aumentou o número de vítimas num dos atentados em Kerbala, a 110 quilômetros de Bagdá", comunicou a Efe.
Noutra informação acrescentava que era "um atentado suicida perpetrado por uma mulher que detonouou a carga explosiva que levava no corpo."
"Entre 25 e 36 mortos e dezenas de feridos foi o saldo hoje de um atentado suicida", informou a ANSA.
Com esses dados, que se incrementam a cada hora, a de Cheney, foi ou não uma viagem triunfal?



Fidel Castro Ruz

17 de março de 2008

20h17


Fonte: Granma Internacional

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