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Governo Obama deve decidir sobre presos de Guantánamo

O Governo do presidente americano, Barack Obama, deve responder, na semana que vem, ao pedido dos advogados de mais de 30 detidos na base naval de Guantánamo, que exigem receber o tratamento estipulado pela Convenção de Genebra, informaram hoje fontes judiciais.

Os advogados pediram ontem ao juiz do Distrito de Columbia (EUA), Reggie Walton, que dê seu parecer sobre se esses detidos devem ser tratados como prisioneiros de guerra.

Em janeiro de 2002, o Governo do ex-presidente americano George W. Bush começou a levar para a prisão de Guantánamo centenas de homens capturados como supostos terroristas em várias partes do mundo.

Bush classificou essas pessoas como "combatentes inimigos ilegais" e decidiu que eles não seriam amparados pela Convenção de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra.

Em junho de 2008, a Corte Suprema de Justiça dos EUA decidiu que os prisioneiros de Guantánamo tinham direito a recorrer de sua detenção nos tribunais americanos.

Na semana passada, durante uma apresentação sobre outros casos relacionados aos prisioneiros em Guantánamo, a Administração Obama abandonou o uso do termo "combatentes inimigos ilegais" e deu a entender que aplicará as garantias da Convenção de Genebra a esses indivíduos.

Obama já anunciou que o campo, onde estão detidos militantes suspeitos de "terrorismo", será fechado. Segundo analistas, a decisão de abolir o uso do termo "combatentes inimigos ilegais" tem uma grande carga simbólica.

No último dia 3, o juiz Walton pediu aos advogados dos detidos e ao Governo que apresentassem novos argumentos quanto ao uso da Convenção de Genebra em Guantánamo.

Além disso, Walton solicitou que sejam apresentados argumentos sobre se os detidos têm direito a "certas normas mínimas de atenção e cuidado" caso os direitos da Convenção de Genebra não sejam aplicáveis.

Os advogados responderam que a Convenção deve ser utilizada em Guantánamo e que os tribunais dos EUA podem e devem garantir essas leis.

Os magistrados completaram seu ponto de vista dizendo que, se as Forças Armadas americanas não cumprirem as Convenções de Genebra em Guantánamo, os detidos devem ser transferidos para outro país ou repatriados para seus locais de origem.

O próximo dia 26 é a data limite para o Governo Obama responder perante o juiz Walton à primeira reivindicação que põe esta nova política à prova, ao mesmo tempo em que Washington estuda como proceder para fechar a prisão de Guantánamo.

Fonte: EFE e BBC

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Presidente eleito salvadorenho chama à unidade nacional

San Salvador, 16 mar (Prensa Latina) Em sua primeira mensagem à nação, o presidente eleito de El Salvador, da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), Mauricio Funes, fez um chamado à reconciliação e a unidade nacional.


Contabilizadas 91,7 por cento das atas eleitorais, Funes obteve 51,26 por cento, diante de 48,74 do candidato da governista Aliança Republicana Nacionalista (ARENA), em resultados já considerados como irreversíveis.

"Esta noite deve ter o mesmo sentimento de esperança e reconciliação do esforço que fez possível a assinatura dos acordos de paz", disse.

Funes convidou às diferentes forças sociais e políticas a construir juntas a unidade baseada na tolerância, no respeito às diferenças e na identificação de objetivos comuns.

"Meu governo estará animado pelo espírito da unidade nacional e isso exige deixar de lado a confrontação e o revanchismo", declarou.

O presidente eleito expressou seu agradecimento ao FMLN, a sua direção e militância, ao Movimento de Amigos de Mauricio e a todas as forças políticas que optaram pela mudança.


Fonte: Prensa Latina

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O bloqueio é injusto e anacrônico, temos que acabar com ele

• O presidente da República da Guatemala, Álvaro Colom Caballeros, condenou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à maior da Antilhas por quase 50 anos, depois da sua chegada à Havana na noite deste domingo, 15 de fevereiro, a convite do presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz.

"O bloqueio continua sendo injusto, é anacrônico e temos que acabar com ele. Toda a América Latina está apoiando isso", afirmou.

O presidente, que foi recebido no aeroporto internacional José Martí pelo ministro da Saúde Pública, José Ramón Balaguer Cabrera, expressou sua satisfação por iniciar esta visita, a primeira depois de ocupar o mais alto cargo do governo no seu país.

Numa breve coletiva, Colom informou também que trouxe para o líder da Revolução cubana, Fidel Castro Ruz, a condecoração da Ordem do Quetzal, a mais alta distinção guatemalteca. •

Fonte: Granma Internacional

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Evo Morales promulga nova Constituição da Bolívia

''Missão cumprida. Para voltar a fundar uma Bolívia unida'', proclamou Morales, ao declarar promulgada uma Carta Magna que, pela primeira vez na história do país, foi aprovada com o voto popular no referendo realizado em 25 de janeiro.

Em um grande ato realizado na cidade de El Alto, o presidente indígena, funcionários de seu governo, as Forças Armadas e os milhares de bolivianos reunidos no local formularam um juramento coletivo para ''respeitar e fazer respeitar'' a nova Constituição.

De acordo com Morales, a Carta Magna foi inspirada na ''permanente luta pela libertação'' que desde os tempos da colônia espanhola empreenderam os povos indígenas, os movimentos sociais e os patriotas bolivianos em defesa ''da vida, da justiça e da soberania''.

''É impressionante o que estamos fazendo: da rebelião de nossos antepassados à revolução democrática e cultural. Há uma nova Bolívia, com a reconciliação entre milenares e contemporâneos'', destacou o presidente.
Com a promulgação da Carta Magna, Morales pôs hoje em vigor um modelo de Estado multinacional e unitário, de economia social e que, destacou, ''protege por igual todos os bolivianos''.

No entanto, lembrou que, ''após tantas adversidades e humilhações'', o texto consagra ainda ''as aspirações mais profundas dos setores mais abandonados'' no país, como o caso de indígenas e trabalhadores.
Após um discurso carregado de referências históricas com o qual quis prestar homenagem aos heróis da luta indígena e social da Bolívia, Morales fez pediu a união de todos os setores do país para implementar a nova Constituição.


No dia 25 de janeiro, 61,4% dos bolivianos apoiaram em referendo esta Carta Magna que constitui o eixo do processo de mudança impulsionado por Morales desde que chegou à Presidência do país, há três anos.


A rejeição ao texto se concentrou majoritariamente nas regiões autonomistas de Santa Cruz, Beni e Tarija, todas governadas por opositores de direita, assim como em Pando, regida por um governador regional militar após a prisão do governante anterior por sua suposta responsabilidade por um massacre ocorrido em setembro.
Depois da promulgação, uma das primeiras medidas de Morales para a implantação da nova Carta Magna será a reestruturação de seu Governo para adequá-lo ao texto já vigente.

A nova Constituição da Bolívia incorpora a formação de autonomias em três níveis, incluindo a indígena, destaca o papel do Estado e permite a reeleição presidencial uma vez.

Seguem abaixo seus artigos mais importantes:

- PRINCÍPIOS E VALORES DO ESTADO: O Estado assume e promove os princípios quechua "ama qhilla, ama llulla, ama suwa" (não ser preguiçoso, não ser mentiroso, não ser ladrão), o aymara "suma qamaña" (viver bem) e o guarani "ñandereko" (vida harmoniosa).

- O ESTADO: A Bolívia se constitui em um Estado Unitário Social de Direito Plurinacional Comunitário, livre, independente, soberano, democrático, intercultural, descentralizado e com autonomias.

- OS BOLIVIANOS: A nação boliviana é composta de nações e povos indígenas e de comunidades interculturais e afro-bolivianas.

- RELIGIÃO: O Estado respeita e garante a liberdade de religião e de crenças espirituais, de acordo com suas cosmovisões. O Estado é independente da religião.

- PROPRIEDADE PRIVADA: Garante-se a propriedade privada individual, ou coletiva, sempre que essa cumprir uma função social.

- CONTROLE SOCIAL: O povo organizado participará da elaboração de políticas públicas e exercerá controle sobre a gestão pública em todos os níveis do Estado.

- AUTONOMIA DEPARTAMENTAL: O governo autônomo departamental é constituído por uma Assembléia Departamental, com faculdade deliberativa, fiscalizadora e legislativa departamental.

- AUTONOMIA INDÍGENA: A autonomia indígena consiste no autogoverno como exercício da livre determinação das nações e dos povos indígenas nativos camponeses, cuja população compartilha território, cultura, história, línguas e organização, ou instituições jurídicas, políticas, sociais e econômicas próprias.

- ECONOMIA: O modelo econômico boliviano é composto pelas economias comunitária, estatal, privada e social cooperativa e não se permitirá o acúmulo privado de poder econômico em um grau tal que ponha a soberania econômica do Estado em risco.

- RECURSOS NATURAIS: O Estado assume o controle e a direção sobre a exploração, industrialização, transporte e comercialização dos recursos naturais estratégicos.

- HIDROCARBONETOS: Os hidrocarbonetos são de propriedade inalienável e imprescritível do povo boliviano.

- REELEIÇÃO: Reconhece a reeleição de presidente e vice-presidente por uma única vez de maneira contínua.


Fonte: EFE

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Igor Fuser: a mídia contra Battisti

"Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas. Portanto, antes de pretender nos dar lições de Direito, o ministro da Justiça faria bem se pensasse nisso não uma, mas mil vezes". Essa ofensa ao povo e ao Judiciário brasileiros, divulgada pela agência Ansa no dia 30 de janeiro, partiu da boca do deputado Ettore Pirovano, da Liga Norte, um partido de extrema-direita famoso pelas campanhas de ódio aos imigrantes e pela esdrúxula proposta de separar o norte (rico) da Itália do resto (menos rico) do país.

O discurso cafajeste de Pirovano, com seu eufemismo de mau-gosto para se referir a outro ofício que não o de dançarina, já revela muito sobre o universo mental da coligação governista da qual ele faz parte, em companhia dos neofascistas declarados que, sob a batuta de Silvio Berlusconi, sentem novamente o gosto do poder, mais de 60 anos depois que Mussolini teve o seu merecido fim. O assunto: a decisão de Tarso Genro de conceder ao ex-extremista italiano Cesare Battisti, residente no Brasil, a condição de refugiado político, o que inviabiliza o pedido de extradição feito pelo governo italiano.

Diante do alarido que a imprensa brasileira tem feito em torno do tema (manchete principal numa das edições do Estadão!), era previsível que aquela fala destemperada de um aliado de Berlusconi aparecesse com destaque na mídia brasileira, certo? Errado. A notícia passou batida pela imprensa empresarial, que permanece, em duas semanas de intensa cobertura do tema, fiel a um padrão bem conhecido. Tudo o que se presta a reforçar as posições dos donos das empresas jornalísticas é realçado, martelado até ganhar as feições de verdade auto-evidente. Já os conteúdos que podem alimentar argumentos contrários são minimizados, relativizados ou omitidos.

O mecanismo é bem conhecido dos estudiosos da comunicação. Noam Chomsky foi quem melhor elucidou a dialética de "ênfases" e "omissões" que garante às classes dominantes a difusão das idéias do seu interesse sob o manto insípido da objetividade. Mas a postura da mídia empresarial nesse episódio também pode ser explicada a partir das teorias do sociólogo Ervin Goffman, que desenvolveu nos anos 70 o conceito do "enquadramento". Trata-se, segundo Goffman, do dispositivo interpretativo mais geral que envolve os conteúdos específicos. Opera de uma forma sutil, como uma moldura invisível ao redor dos fatos. Uma vez estabelecido, garante que o juízo do receptor se incline, automaticamente, para o enfoque escolhido pelo emissor.

A maneira como essa moldura foi construída no caso Battisti daria uma tese de doutorado. A Folha de S.Paulo, por exemplo, se refere ao ex-militante como "terrorista", desprezando a existência pacata que ele mantém há 30 anos. O governo italiano, em contrapartida, aparece na mídia brasileira como uma entidade neutra, imune às paixões políticas. O nome de Berlusconi raramente é mencionado. As motivações do ministro Tarso Genro são pintadas como "ideológicas", como se as autoridades italianas ou os próprios jornais atuassem à margem das ideologias.

Nesse esquema, a imagem simpática da Itália se converte em capital simbólico para legitimar decisões tomadas pelo Judiciário daquele país no contexto da turbulência política da década de 70. Qualquer que seja a verdade sobre a participação de Battisti nos crimes a ele atribuídos, é incontestável que não se tratava de delinquência e sim de ações políticas, como reconheceu o ex-presidente Francesco Cossiga ao se referir a ele como "um subversivo". Isso, por si só, já justificaria a decisão de Genro.

A ultra-esquerda da época, com todos os erros, tampouco tinha como inimigo um estado de Direito "normal", mas um regime democrático degenerado, dirigido por um primeiro-ministro, Giulio Andreotti, com ligações mafiosas mais do que provadas. Leis assumidamente "de exceção" foram adotadas no combate à esquerda armada e o Estado italiano recorreu, sim, a violações aos direitos humanos, inclusive à tortura, como denunciou a Anistia Internacional.

Tudo isso é história, mas a imprensa, ainda assim, insiste em desprezar o contexto tenebroso em que se deu a condenação de Battisti. Na descrição do filósofo Norberto Bobbio, a Itália se achava submetida a um "criptogoverno", em que as autoridades "agem na sombra em articulação com os serviços secretos". Um cenário de "mistérios", de verdades encobertas, de "trevas" que "não foram dissipadas". A citação, que a mídia não teve a gentileza de compartilhar com os leitores, está no livro O Futuro da Democracia e faz parte do arrazoado de Genro.

Por fim, uma pergunta básica, incontornável: qual é a motivação do governo italiano? Por que tanto empenho em botar as mãos num personagem tão inofensivo, depois de tanto tempo? A resposta, ou parte dela, está na conjuntura doméstica da Itália, marcada pela crise e por uma onda de protestos em que se sobressai um vigoroso ativismo estudantil. Berlusconi e seus aliados reagem à ascensão de uma esquerda não-domesticada sacudindo o espantalho dos "anos de chumbo".

A histeria em torno do caso Battisti, manipulado para criar uma anacrônica associação entre os "radicais" de ontem e de hoje, nada tem de irracional. Ao contrário, dá respaldo a um discurso em que o prefeito fascista de Roma, Gianni Alemanno, acaba de declarar que "o movimento estudantil italiano (seria) dirigido por 300 criminosos da universidade La Sapienza".

Quanto às motivações da imprensa tupiniquim, a explicação é mais simples. A oposição conservadora, diante da patética escassez de argumentos para 2010, quer incluir no seu arsenal de campanha a denúncia do "apoio a um terrorista". Rende votos, supostamente, e ajuda a manter acuados os setores de esquerda no governo Lula e no PT. Tal como espaguete ao sugo e queijo parmesão, a agenda repressiva do governo Berlusconi combina perfeitamente com os interesses do conglomerado PSDB-DEM-mídia-banqueiros-agronegócio. Uma direita ajuda a outra.

Por Igor Fuser, no Operamundi.

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Altamiro Borges: Cesare Battisti e a conspiração da CIA

A oposição de direita e sua mídia têm aproveitado o caso Cesare Battisti para atacar o presidente Lula, que num gesto soberano e legítimo deu asilo político ao escritor italiano. Todas as noites, o casal global do Jornal Nacional apimenta as críticas, bem diferente da postura adotada quando do exílio do ditador paraguaio Alfredo Strossner. Já os jornais Folha e Estadão publicaram editoriais insinuando que o ministro da Justiça, Tarso Genro, teria simpatias por “terroristas de esquerda”. Até a revista Carta Capital, um veículo progressista, reforçou estranhamente o coro crítico.

Parlamentares tucanos e demos, estes egressos do partido da ditadura militar brasileira, fizeram questão de se solidarizar com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o barão da mídia, que numa reação midiática retirou seu embaixador de Brasília. Caraduras, afirmam que a Itália é um exemplo de democracia para justificar o envio do escritor à prisão perpétua neste país. Nada falam sobre a trajetória ultradireitista de Berlusconi, das suas alianças com partidos neofascistas ou da recente medida do seu governo que impede que ele seja julgado por crimes de corrupção.

“Um bode expiatório conveniente”

O caso Cesare Battisti é complexo, mas não justifica a gritaria da direita servil e da mídia venal. França e Japão já deram asilo político aos condenados pela justiça italiana e não houve o mesmo alarde. O bufão Berlusconi e o processo jurídico neste país não são levados muito a sério. Como apontou Maria Inês Nassif, num excelente artigo no jornal Valor, Battisti foi condenado à prisão perpétua sem qualquer direito de defesa. As testemunhas que o acusaram de quatro assassinatos gozam da delação premiada e há indícios de que uma foi torturada. Dois dos citados homicídios foram cometidos no mesmo dia 16 de fevereiro de 1979, a 500 km de distancia um do outro.


“[Battisti] nunca esteve num tribunal para defender-se das acusações e, de volta à Itália, não será ouvido por nenhum juiz”, afirma a colunista no artigo “Um bode expiatório conveniente à Itália”. Para ela, “diante de tantas contradições e de tantos fatos mal explicados, fica a dúvida de por que interessa tanto ao governo italiano coroar Cesare Battisti como o bode expiatório de um período negro na Itália, onde não apenas a luta armada enevoou o país, mas as instituições se ajustaram a uma guerra contra o terror usando métodos poucos afeitos à ordem democrática”.

EUA subornam políticos e jornalistas


O livro recém-lançado “Legado de cinzas, uma história da CIA”, do jornalista estadunidense Tim Weiner, vencedor do prêmio Pulitzer, confirma a tese de Maria Inês Nassif de que o período em que Battisti participou da luta armada, nos anos 70, foi um dos mais tumultuados e sombrios da história recente da Itália. O clima era de guerra. Com base em inúmeros documentos oficiais, o autor demonstra que o serviço de espionagem e terrorismo dos EUA teve participação ativa no processo político italiano, financiando partidos da direita e realizando ações de sabotagem.


“A CIA gastou vinte anos e pelos menos US$ 65 milhões comprando influência em Roma, Milão e Nápoles”. McGeorge Bundy, diretor da agência, chamou o programa de ações secretas na Itália de ‘a vergonha anual’. Thomas Fina, cônsul-geral dos EUA em Milão durante o governo Nixon, confessou que a CIA subsidiou o partido democrata-cristão e deu milhões de dólares para bancar “a publicação de livros, o conteúdo de programas de rádio, subsidiando jornais e jornalistas”. Ele se jacta que “tinha recursos financeiros, recursos políticos, amigos e habilidade para chantagear”.


Nutro trecho, Tim Weiner revela que a ingerência ianque se intensificou a partir de 1970. “Com aprovação formal da Casa Branca, houve a distribuição de US$ 25 bilhões a democratas cristãos e neofascistas italianos. O dinheiro foi dividido na ‘sala dos fundos’ – o posto da CIA no interior da suntuosa embaixada americana”. Giulio Andreotti “venceu a eleição com injeção de dinheiro da CIA. O financiamento secreto da extrema direita fomentou o fracassado golpe neofascista em 1970. O dinheiro ajudou a financiar as operações secretas da direita – incluindo bombardeios terroristas, que a inteligência italiana atribuiu à extrema esquerda”. Como se nota, não houve inocentes neste período sombrio, nem a mídia corrompida pela CIA.


Fonte: Blog do Miro

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Altamiro Borges: Uma década da revolução bolivariana


Empossado em 2 de fevereiro de 1999, o presidente Hugo Chávez completa 10 anos à frente da "revolução bolivariana" na Venezuela. Sua inesperada eleição, em dezembro de 1998, com 56% dos votos, foi uma resposta à devastação neoliberal e representou duro golpe ao bipartidarismo oligárquico imperante neste país desde 1958 - através do pacto de "Punto Fijo". Ela deu início a uma experiência inédita na América Latina, com a vitória de inúmeros governantes progressistas, antineoliberais, e recolocou na agenda política o debate sobre o "socialismo do século 21".

Nesta uma década, Hugo Chávez, que chegou ao governo sem contar com partidos estruturados e movimentos sociais consistentes, enfrentou enormes obstáculos. Além dos problemas estruturais de um país miserável, ele foi alvo da fúria das elites racistas, das conspirações do imperialismo e do cerco da mídia. Com base no apoio popular e num núcleo nacionalista das forças armadas, ele derrotou o golpe de estado de abril de 2002, o locaute petroleiro de dezembro/janeiro de 2003 e incontáveis iniciativas de desestabilização do seu governo. Segundo pesquisa recente, atuam no país 271 organizações não-governamentais financiadas pelos EUA e com propósitos golpistas.


"A palha e o furacão revolucionário"


Num processo radicalizado, ele insistiu na via democrática, ao contrário do que alardeia a mídia. Hugo Chávez enfrentou e venceu três eleições presidenciais (1998, 2000 e 2006), três referendos constitucionais (dois em 1999 e outro em 2004), quatro pleitos executivos (2000, 2004, 2005 e 2008) e dois legislativos (1999 e 2005). Na mais recente disputa, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) conquistou 17 dos 23 governos estaduais e 233 prefeituras (80% das existentes). Nesta trajetória, ele sofreu apenas uma derrota, no referendo de dezembro de 2007.


A cada nova vitória, Chávez foi firmando sua convicção no projeto bolivariano. "Eu sou apenas uma débil palha arrastada pelo furacão revolucionário", explica. Após derrotar o golpe de 2002, ele exonerou os generais golpistas e acelerou os programas sociais. Com a derrota do locaute, ele demitiu a casta de diretores e gerentes endinheirados e assumiu, de fato, o comando da poderosa empresa de petróleo da Venezuela - a PDVSA. Ele também enfrentou a ditadura midiática, não renovando a concessão pública da RCTV e incentivando rádios e TVs comunitárias. A partir da eleição presidencial de 2006, Chávez anunciou sua idéia híbrida do "socialismo do século 21".


Mudanças políticas radicais


Vários fatores explicam os avanços da revolução bolivariana, com seus ziguezagues e lacunas. A primeira é a radical mudança política no país, com o governo apostando na participação ativa das camadas populares - na chamada democracia protagônica. Através dos comitês bolivarianos, das missiones (programas sociais sob controle da sociedade) e dos conselhos, há um enorme esforço pedagógico para envolver os "excluídos". Na retaguarda deste processo movimentista aparecem as forças armadas. "Nossa revolução é pacífica, mas não é desarmada", enfatiza sempre Chávez.
O debate político na Venezuela é dos mais intensos e democráticos. As sucessivas eleições e as várias instâncias de participação popular procuram superar a fragilidade dos movimentos sociais e a debilidade de um processo centrado num único líder. Nesta empreitada se dá a guerra contra a ditadura midiática. Balanço recente indica que, além dos quatro veículos estatais, hoje já existem 250 rádios comunitárias, 24 emissoras de TV sob controle popular, 300 periódicos alternativos e uma potente rede de internet - de 640 mil usuários em 2002 pulou para 4,142 milhões em 2008.


Avanços no campo econômico


Outro fator determinante para os avanços da revolução bolivariana são as mudanças no terreno econômico. Inicialmente, o processo foi até conservador, cauteloso. Com o tempo, as mudanças ganharam ritmo - com a estatização, de fato, da PDVSA, introdução de tributos sobre ganhos das multinacionais e medidas de controle do fluxo de capitais, entre outras de cunho antineoliberal. Procura-se diversificar a base produtiva do país, que continua muito dependente do petróleo, no que se batizou de econômica endógena. Há também o estímulo às cooperativas e às propriedades sociais. Com base nestas medidas, a economia cresceu em média 11,2% nos últimos cinco anos.


Na fase recente, a revolução bolivariana acelerou o processo de estatização de áreas estratégicas, comprando empresas privadas na telefonia (Cantv), energia (AES), siderurgia (Sidor) e bancos (Santander). A proposta do "socialismo do século 21" ainda é uma peça de propaganda. Diante da grave crise mundial do capitalismo, que afeta duramente o preço e o volume das exportações de petróleo, o governo tenta atrair o chamado setor produtivo. Em julho passado, promoveu um encontro com 300 empresários e lançou um forte programa de subsídios às empresas. Há muita polêmica sobre o lançamento de uma nova NEP, a exemplo do ocorrido na revolução soviética.


A força dos programas sociais


O que dá forte impulso à revolução bolivariana, porém, são os programas sociais implantados nestes 10 anos. Três reportagens recentes - "Uma década de Chávez", da revista Carta Capital; "Chávez, as dez vitórias e a mídia", do jornal mexicano La Jornada; e "A nova Venezuela do presidente Chávez", do periódico francês Le Monde Diplomatique - evidenciam o esforço do governo para melhorar a vida da sua população. A oligarquia racista, a imperialismo e a mídia venal até hoje não entenderam estas mudança. Vale à pena listar alguns dados do período 98-07:


- Miséria extrema: baixou de 20,3% para 9,4%;


- Pobreza: de 50,4% para 33,07%;


- Diferença entre riqueza/pobreza: de 28,1% para 18%;


- Mortalidade infantil: de 21,4 para 13,9 para cada mil nascidos vivos;


- Desemprego; de 16,06% para 6,3%;


- Salário mínimo: de 154 dólares para 286 dólares, o mais alto da América Latina;


- Aumento do poder aquisitivo: 400%;


- Investimento na educação: de 3,38% para 5,43% do PIB;


- Educação básica: de 89,7% para 99,5% das crianças;


- Educação superior: de 21,8% para 30,2% dos estudantes;


- Investimento em saúde: de 1,36% para 2,25% do PIB



Fonte: Vermelho

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Chávez destaca amplo significado do processo de mudanças iniciado em 1999


Caracas, 1 fev (PL) O presidente Hugo Chávez destacou hoje que os primeiros 10 anos do processo de mudanças – construindo o governo e com o povo convertendo-se em poder – não têm precedentes na história da república venezuelana.

Em sua coluna deste domingo, intitulada “Fevereiro, outra vez fevereiro!”, o mandatário sul-americano enfatiza que “Fizemos em dez anos o que não se quis fazer em um século. Na verdade, lhes digo: não é pouca coisa o salto que demos”.

“A Venezuela”, afirmou, passou “de um escuro e diminuído país, subordinado ao império ianque, a ocupar um lugar luminoso de vanguarda nas lutas dos povos do mundo por sua libertação”.

O chefe de estado assinala que, devido à efeméride de amanhã, 2 de fevereiro não será um dia útil, e terá uma programação especial que inclui a celebração de uma Cúpula Extraordinária da Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América.

“Têm sido dez anos de resistência e de avanços em todos os âmbitos da vida nacional; dez anos nos quais temos marchado de vitória popular em vitória popular, rumo à independência definitiva da Venezuela, para converter nossa Pátria em um País-Potência neste continente”, expressa.

O mandatário venezuelano insiste na importância e significado do referendo do dia 15 de fevereiro, no qual o povo terá a possibilidade de aprovar ou não uma emenda constitucional para a reeleição contínua dos cargos públicos.

“O ‘Sim’ é a chave para abrir os portões de um novo horizonte; o ‘Sim’ é o futuro. O contrário significaria não apenas fechar essa possibilidade, como algo pior: abrir as portas tenebrosas do passado”, ressalta.

“Você, mulher venezuelana, homem venezuelano, jovem venezuelano, tem em suas mãos as chaves”, assegura.

Em sua coluna, Chávez relembrou os acontecimentos vinculados ao mês de fevereiro e brilha ao escrever "outra página gloriosa: o 15 de fevereiro!!".

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REFERENDO DÁ INÍCIO À 'NOVA BOLÍVIA', DIZ MORALES


O presidente Evo Morales disse neste domingo (25) à noite que, com a nova Constituição aprovada por meio do referendo encerrado horas antes, "começa uma nova Bolívia, um novo estado-nação para chegar à igualdade de todos os bolivianos e bolivianas".

"Os neoliberais, os vende-pátria, estão sendo derrotados permanentemente", afirmou Evo, falando para milhares de militantes reunidos em frente ao palácio do governo em La Paz.


O presidente também celebrou o fim do "latifúndio" e dos "grandes proprietários de terra", lembrando a aprovação da proposta, contida na nova Constituição, de limitar para 5 mil hectares as dimensões das propriedades.


Segundo Evo, "terminou o estado colonial, acabou o colonialismo interno e o colonialismo externo, também terminamos com o neoliberalismo, acabou o leilão dos recursos naturais".


O presidente, no entanto, afirmou que o desafio do governo agora será "aplicar" a nova carta constitucional e agradeceu o apoio dos movimentos sociais e da Central Operária Boliviana no processo.


Evo indicou que será preciso "mais comunicação" com governadores e prefeitos, a quem fez um apelo para que formem um "conselho de autonomias" para ajudar a implementar a nova Constituição.


O presidente boliviano ressaltou a importância da aprovação do referendo para o "campesinato indígena", que foi a população "mais excluída" na história do país. "Com o apoio do povo, seguiremos aprofundando as transformações estruturais e sociais para o bem de todos os bolivianos", disse.


Evo pediu que a população "se organize para levar em frente a nova Constituição" e convidou os governadores a iniciarem o processo de implementação.


O presidente agradeceu especialmente o apoio dos Estados de La Paz, Oruro, Potosí e Cochabamba, onde, segundo a pesquisa de boca-de-urna, a vitória do governo foi determinante para garantir a aprovação do referendo.


Fonte: Ansa Latina

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QUEM SÃO OS TERRORISTAS?

Recebi um e-mail noite passada de uma organização chamada ASS. JOSE MARTÍ RG (Rio Grande - RS). Repassei para todos os meus contatos e passando para o blog também pode ter uma disseminação maior.
O objetivo desta é prestar uma asessoria de imprensa tornando o acontecimento mais democrático, mostrando o lado que a mídia não nos mostra em questões como a Guerra na Palestina e apoio à Cuba...

Este vídeo amador logo abaixo mostra o momento após um bomba israelense atingir um grupo de civis e militantes do HAMAS, mas pelo que se pode ver, os ditos terroristas são os que estão socorrendo a população, enquanto os heróis estão assassinando sem piedade.

AUTO MODERAÇÃO - AS CENAS SÃO FORTES E PERTURBANTES, MAS INFELIZMENTE É A REALIDADE DE NOSSOS IRMÃOS, ASSISTA POR SUA CONTA E RISCO.

CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO PARA VER O VÍDEO

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Obama ordena o fechamento da prisão de Guantánamo


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta quinta-feira (22) o decreto que ordena o fechamento do centro de detenção de Guantánamo e proíbe os abusos durante interrogatórios, exigindo respeito à Convenção de Genebra.



O presidente havia se comprometido a fechar o polêmico campo de detenção durante a campanha eleitoral. ''O centro de detenção de Guantánamo objeto desta ordem será fechado o mais rápido possível e, no mais tardar, no prazo de um ano a partir da data da ordem'', diz um rascunho da ordem executiva, divulgado anteriormente no site da associação American Civil Liberties Union (ACLU) e confirmado pela fonte da Casa Branca.


Obama também ordenou a revisão de tribunais militares suspeitos de terrorismo e o fim dos métodos mais duros de interrogação. Entre as ações previstas no decreto do presidente norte-americano está a criação de uma força-tarefa que terá 30 dias para recomendar políticas para o tratamento de suspeitos de terrorismo que foram presos no futuro. O principal ponto é definir onde essas pessoas seriam presas, já que Guantánamo será fechada.


Na quarta-feira, um rascunho da possível ordem executiva de Obama circulou em Washington. Segundo o documento, o novo presidente queria fechar o centro de detenção e ''libertar ou transferir os prisioneiros para seus países de origem, para o sistema prisional americano ou para um terceiro país''.


''O centro de detenção de Guantánamo, para os indivíduos cobertos por esta ordem, deve ser fechado assim que possível, e não mais que um ano após a data desta odem'', dizia o rascunho, segundo a agência de notícias Reuters.


Suspensão


Também na quarta-feira, um juiz militar aprovou o requerimento de suspensão dos julgamentos dos presos mantidos na prisão de Guantánamo, solicitada pela administração do presidente Barack Obama, que fez o pedido através de promotores, em uma de suas primeiras medidas na Casa Branca.


No documento de duas páginas, o governo afirma que os “interesses da justiça” serão contemplados com a imediata suspensão dos julgamentos. Foi solicitado um adiamento de 120 dias nas audiências.


Segundo o documento, o adiamento “permitirá que o presidente e seu governo tenham tempo para revisar o processo das comissões militares”.



Fonte: Vermelho

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Troca de presidentes EUA

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Manifestantes 'dão adeus' a Bush




O PIG não poderia silenciar diante das manifestações que ocorrem nos E.U, e como de costume, não deixam de tratar o povo que através de protestos expressa sua indignação contra Bush, com ironia e desdem. E o G1 segue sendo um dos carro-chefe da imprensa golpista na manipulação das notícias. Leia a seguir a "matéria"


Pacifistas lançaram sapatos e tênis contra a Casa Branca.
Os policiais, como de costume, só observaram.

Obviamente eles não poderiam faltar à festa. Os “pacifistas”, que batem ponto em frente à Casa Branca diariamente, fizeram nesta segunda-feira (19) uma passeata pelo centro de Washington.

O destino final era a Casa Branca. Nas mãos, a arma do momento: sapatos e tênis. Ao primeiro sinal do megafone, dezenas de manifestantes miraram os muros da Casa Branca e deram o seu adeus a George W. Bush. Os policiais, como de costume, apenas observaram.

Mas agora, com Obama na Casa Branca, quem será o inimigo dos pacifistas? “Nosso objetivo será condenar Bush e Dick Cheney como criminosos de guerra”, disse um senhor, trajado no melhor estilo hippie anos 70.

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Parcial, o silencioso e prepotente parcial.


A Anistia Internacional denunciou a posição "parcial" dos Estados Unidos em relação à resposta "desproporcional" de Israel na Faixa de Gaza, e pediu que o país pare de fornecer armas aos israelenses.

Em uma carta dirigida à secretária de Estado Condoleezza Rice, a organização de defesa dos direitos humanos diz estar "particularmente consternada diante da parcialidade da reação do governo dos Estados Unidos e sua falta de esforços para ajudar na crise humanitária em Gaza".


"Sem minimizar a responsabilidade do Hamas e de outros grupos armados palestinos nos ataques indiscriminados e deliberados contra civis israelenses, o governo dos Estados Unidos não deve ignorar a resposta desproporcional e as políticas de longo prazo que deixaram Gaza à beira do desastre humanitário", afirma o texto.


A Anistia se declara ainda "muito preocupada, porque os armamentos e equipamentos militares fornecidos pelos Estados Unidos a Israel também foram utilizados nos recentes ataques israelenses contra áreas residenciais de Gaza altamente povoadas por civis".


"Os Estados Unidos", acrescenta, "devem suspender a transferência de armas a Israel e investigar imediatamente se as mesmas são utilizadas para cometer abusos contra os direitos humanos". Por último, a organização faz um apelo aos Estados Unidos para "ir além da retórica e exercer uma pressão real sobre as duas partes para que os ataques ilegais parem imediatamente".



Fonte: G1



Agora lhes pergunto: que tipo de ataque ou fornecimento de armas pode ser considerado legal? Por que temos um embargo econômico logo embaixo da América do Norte e um fornecimento de armas monstruoso para o outro lado do globo?

Aliás, quem poderia dizer que um dia David se transformaria em Golias?


Para apoio da causa palestina existe um site interessante, porém com uns links quebrados com a tradução para língua portuguêsa.


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Lula pede à AL que "aposte no Bloco" para enfrentar a crise


"O Mercosul, juntamente com nossos amigos da América Latina e Caribe, não assistirá passivamente ao debate sobre a crise mundial. Teremos um papel importante a jogar na construção de uma nova arquitetura política e econômica internacional, multipolar e multilateral", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao abrir na Bahia nesta terça-feira (16) a Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul. Lula tratou como "companheiros" os 16 chefes de Estado presentes, destacando a presença do cubano Raúl Castro.



Esta foi a 36ª Cúpula do Mercosul, e será seguida, na quarta-feira, pela 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe. O descompasso entre os números dá uma noção do passo que será dado na Bahia, quando os governantes latino-americanos se reunirão pela primeira vez sem a tutela de uma potência estrangeira.
No discurso de abertura, Lula destacou que "conjunturas de crise como esta revelam as perversões do sistema econômico dominante". Mas voltou a frisar em seguida que "elas são, também, oportunidades para grandes mudanças que requerem clareza de análise e redobrada vontade política".
"Nossa resposta coletiva deve ser dobrar a aposta em nosso Bloco, numa integração voltada para o desenvolvimento e a superação de desigualdades regionais", frisou o presidente brasileiro.




Veja a parte mais substantiva do discurso de abertura:



"Eu acho que merece um destaque especial aqui entre nós a presença do nosso amigo Raúl Castro, na sua primeira viagem ao Brasil e certamente à Bahia, que parece muito com Santiago de Cuba. É muito importante para nós, Raúl, a sua presença nesta reunião, e espero que seja a primeira de uma série de reuniões que você participará conosco.
É com grande satisfação que os recebo na Bahia. Quero saudar muito especialmente os presidentes de Cuba, Guiana, México, Panamá e Suriname. Suas presenças numa reunião do nosso Mercosul simbolizam um compromisso em torno da união da América Latina e Caribe. Estaremos dando um passo sem precedentes nessa direção logo mais, quando reuniremos os líderes de toda nossa região.
Enfrentamos um cenário internacional marcado por novas ameaças. Conjunturas de crise como esta revelam as perversões do sistema econômico dominante. Mas elas são, também, oportunidades para grandes mudanças que requerem clareza de análise e redobrada vontade política.
A voz do Mercosul começa a ser ouvida nos foros internacionais. Temos de aprofundar nossas propostas para enfrentar a grave crise da economia global. Vejo, com satisfação, que nossos países têm dado, nacionalmente, respostas muito coincidentes.
A preocupação central de nossos governos está em proteger o emprego e a renda dos trabalhadores e em continuar impulsionando a inclusão social. Nossa resposta coletiva deve ser dobrar a aposta em nosso Bloco, numa integração voltada para o desenvolvimento e a superação de desigualdades regionais. Foi essa a agenda que promovemos durante a Presidência brasileira.
De janeiro a outubro de 2008, o fluxo de comércio entre o Brasil e seus sócios no Mercosul foi de US$ 32 bilhões, e importou cerca de quatro vezes o valor de 2002. Na Aladi, os números são impressionantes. Este ano, as trocas intra-regionais poderão chegar a US$ 140 bilhões, o triplo de cinco anos atrás. O comércio de bens e serviços, assim como o desenvolvimento de nossa infra-estrutura física, depende de sólido apoio financeiro.
Neste momento de forte restrição ao crédito, é preciso diversificar fontes de recursos e reduzir a dependência de divisas internacionais. É o que estamos fazendo ao lançar mecanismo de pagamento em moedas locais, começando com Argentina e Brasil. Ao eliminar a intermediação financeira, as empresas reduzem seus custos de transações. O Mercosul não realizará seu pleno potencial enquanto os produtos não puderem circular livremente. Continuaremos a trabalhar, sob a Presidência paraguaia, para a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum.
Para isso, é fundamental estabelecer um mecanismo justo, confiável e, tanto quanto possível, automático de redistribuição da renda aduaneira. A eliminação da dupla cobrança da TEC é essencial para integrarmos cadeias produtivas e aprofundarmos acordos de associação com outros países e blocos.
A atual crise financeira, com seus reflexos no comércio, sublinhou a importância de diversificarmos nossos mercados. Saudamos a ratificação do Acordo Mercosul-Índia e a assinatura do Acordo Mercosul-Sacu. O desenvolvimento do comércio Sul-Sul é fundamental para o nosso crescimento.
Em nossa região, a ampliação do acordo com o Chile, de modo a abarcar o setor de serviços, foi um importante passo para maior integração. Em breve, estaremos iniciando negociações semelhantes com a Colômbia.
O Estatuto do Fundo de Garantias para Micro, Pequenas e Médias Empresas do Mercosul vai ajudar a realizar o potencial do espaço econômico continental que estamos consolidando. Com acesso ao crédito, nossos empresários buscarão com mais confiança parcerias do outro lado da fronteira.
Ampliar o horizonte de atuação das empresas é essencial à integração produtiva.
Projetos para integrar os setores automotivo, de petróleo e gás, de madeira, de móveis e do turismo gerarão milhares de empregos. Para capacitar empreendedores, em particular no Paraguai e no Uruguai, a beneficiarem-se dessas oportunidades, vamos recorrer ao Focem e à solidariedade de nossas comunidades empresariais. Estamos, assim, ampliando o acesso a mercados. O Brasil tem consciência de suas responsabilidades perante os sócios menores, ainda mais em contexto de forte desaceleração econômica mundial.
Mas não podemos restringir o Mercosul à sua dimensão comercial. É preciso investir em projetos que reforcem as economias menores. Por isso, tomei a decisão de que, a partir de 2009, o Brasil dobrará sua contribuição ao Focem.
O Mercosul só estará completo quando nossos povos sentirem em seu cotidiano e em seu trabalho os frutos da integração. A perspectiva de eleições diretas em todos os nossos países para nosso Parlamento é passo decisivo nessa direção. Quero saudar, na figura de seu presidente – o companheiro deputado Doutor Rosinha – aqueles que se dedicam a essa tarefa.
Foi este também o sentido da criação do Conselho do Programa Brasileiro do Mercosul Social e Participativo. Estabeleceu um canal de diálogo entre o governo e a sociedade civil sobre os rumos da integração.
O Conselho do Mercado Comum fez ontem um debate extremamente importante sobre os efeitos da crise financeira, em particular para os setores mais vulneráveis de nossas sociedades.
Vamos impedir retrocessos na melhoria das condições de vida de nossas populações. Temos de manter, e mesmo ampliar, programas sociais que protegem os mais pobres, os trabalhadores de baixa renda e a agricultura familiar.
Precisamos continuar investindo na produtividade e competitividade de nossas economias. Mas nossa força para enfrentar a recessão global não está apenas no desempenho de nossas economias, está no vigor das nossas democracias. Uma crise como a atual exige transformações profundas na forma de decidir as grandes questões econômicas e políticas do mundo. É por isso que afirmei, reiteradamente, ter chegado a hora da política.
O Mercosul, juntamente com nossos amigos da América Latina e Caribe, não assistirá passivamente ao debate sobre a crise mundial. Teremos um papel importante a jogar na construção de uma nova arquitetura política e econômica internacional, multipolar e multilateral."


FONTE: Vermelho

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Grécia rebelde: a revolta dos jovens se alastra

Se esta é a era da "midiatização" da vida quotidiana, assim como da política (e o é faz tempo), as últimas 24 horas na Grécia transmitem um péssimo sinal para o poder sobre a gravidade da revolta em curso – seu alcance e a profundidade do seu significado.


Por Anubis D'Avossa Lussurgiu, enviado a Atenas do diário italiano Liberazione*




Em Atenas, o tribunal rejeitou a tese da polícia, apoiada por baixo dos panos pelo ministro do Interior, sobre o assassinato do adolescente Alexis Grigoropoulos, na maldita noite de São Nicolau em Exarchia. A encenação dos dois tiros para o ar e o terceiro no chão, que desafortunadamente "ricocheteou", disparados pelo "suspeito Alfa" (um dos dois policiais envolvidos e preso, o que de fato usou a arma) foi desmentida pelo Ministério Público.


O Ministério deu razão aos pais de Alexis, que solicitam um processo por homicídio premeditado: sob esta acusação o "suspeito Alfa", foi formalmente acusado ontem. Isto na quarta-feira, após 12 horas da defesa e do governo martelando uma estória sobre fantasmagóricos testes balísticos que inocentariam o agente. Eis um só exemplo da verdadeira devastação em curso na Grécia: a queda da credibilidade dos atuais detentores do poder.


Outros exemplos, concretíssimos, surgiram ao longo do dia. Este foi pródigo em surpresas, todas arrasadoras máquina de propaganda e "filtragem" midiática, posta para trabalhar desesperadamente nos últimos dias visando delimitar, confinar, subverter a realidade da revolta grega.





Sigamos por ordem, a começar pelas primeiríssimas notícias da manhã. Fora veiculada, ecoando em todo o "main stream" internacional, a versão de que a revolta estava amainando. Depois, quando os sindicatos paralisaram o país em uma greve geral contra o governo, a "divisão do movimento" foi dada como um fato definitivo. O "violentos", "devastadores", os "encapuzados" (versão grega dos "todos negros", termo tão popular em Gênova, e depois em toda a Itália) já foram descritos como confinados apenas nas Escolas Politécnicas de Atenas e Salônica, rodeados por um pequeno número de estudantes transviados, alienados do universo e do senso comum.



Esta quinta-feira pós-greve desmentiu cada uma de tais descrições. Às 7 horas da manhã, em Atenas, na realidade, uma multidão de estudantes do ensino médio e até mais jovens amontoou-se em frente à principal prisão da capital, em Korydallos, um bairro periférico. É uma prisão que há meses, assiste a mobilizações dos presos contra as condições desumanas de superlotação, mais ainda que na Itália: dois domingos atrás começou ali uma dura greve da fome. Os adolescentes que se manifestaram ontem pela manhã em Korydallos assumiram também essa luta, como fizeram cinco dias atrás nas ruas do centro histórico, perto da Politécnica.


Com a superior insensatez dos imberbes, a tropa policial presente na prisão, que tentou intervir contra a concentração espontânea, foi atacada a pedradas por esses meninos de olhos em chamas, todos com os rostos descobertos. Não se dispersaram, mesmo quando começaram as prisões, as cargas, um violento espancamento de crianças, um deles registrado pela televisão. Só foram embora quando decidiram ir.


Isto depois de dias de bombardeio mídiático sobre a "destruição" e da ênfase dada pelo governo, na noite anterior, ao número de pessoas presas até o momento: 200 no país, pouco mais de 100 em Atenas, passíveis de indiciamento em acusações de "terrorismo", como se denomina na Grécia o equivalente de "devastação e saque".

Mas o que aconteceu em Korydallos foi só a primeira revelação: ao longo do dia não era possível ocultar o envolvimento dos secundaristas. Aconteceram protestos em inúmeros pontos na capital, desde Glyfada, subúrbio marítimo na costa sul, até Aghiu Dimitriu, onde a prefeitura local foi ocupada. Os ataques com pedras foram dezenas.
Estas notícias, lentamente, foram pavimentando uma outra, já anunciada pelos episódios da véspera – a greve geral e a enorme participação de secundaristas na manifestação e nos confrontos em torno do Ministério do Interior, em Atenas: pelo menos 80 colégios da capital foram ocupados pelos alunos, outros 120 (mais uma vez, pelo menos) no resto da Grécia.


Em Patras, onde dois dias antes tinha se testado o primeiro ensaio de convergência de esquadrões fascistas com policiais, no ataque a manifestações, ontem saíram às ruas mais de 500 jovens a gritar o brado que ainda ecoa em todas as ruas da revolta: "To ema kyllai ke dykisi sizai" ("O sangue (de Alexis) corre e pede vingança").


Em Salônica o cortejo, aberto pelos ocupantes da Escola de Teatro da Universidade, atraiu milhares de secundaristas, universitários, jovens em situação de risco e trabalhadores não qualificados na cidade.


Em Komotini, na Trácia, a Politécnica foi ocupada, recebendo reforço dos estudantes da cidade vizinha de Xhanti: aqui o casamento fascistas-polícia foi confirmado pelo ataque a uma concentração fora da Universidade, que resultou em um verdadeiro cerco, usando jatos d'água para dispersar os jovens. Quem fez o trabalho, dessa vez, foram os nazistas da Golden Dawn: os mesmos neonazis que no início da noite de 3 de setembro, esfaquearam em Atenas dois estudantes albaneses durante uma interminável batalha que começou ao cair do sol: o episódio, devido à proveniência das vítimas, foi solenemente ignorado pelos meios de comunicação oficiais gregos.


A propagação da revolta foi sempre mais ampla do que aquilo que conseguia penetrar na malha da mídia ontem. Em Creta, tinham dito que voltara a "calma" depois dos primeiros dias de manifestações contra o assassinato estatal. Bem, ontem a notícia era que todas as escolas de Iraklion [a maior cidade cretense]estavam ocupadas. E manifestações, confrontos com a polícia, ocupações se repetiram em toda a Grécia, desde as regiões ao norte da Ática até as ilhas Jônicas. O que só fez alimentar e estimular o protagonismo das rebeliões em Atenas e Salônica.


Só na manhã de quinta-feira, 22 delegacias de polícia foram atacadas com coquetéis molotov, em todas as áreas da capital. Em Salônica as manifestações espontâneas e confrontos com a polícia se repetiram, enquanto em Atenas ocorreram duas passeatas.


fonte: www.liberazione.it/

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'O Capital', de Karl Marx, ganha versão em mangá no Japão

A editora japonesa East Press lançará, neste mês de dezembro, uma versão em mangá de O Capital, obra-prima do filósofo alemão Karl Marx. Das Kapital — Manga de Dokuha (O Capital — Através do Mangá) usará a fórmula dos traços orientais para tentar explicar um pouco dos conceitos presentes no livro de Marx a respeito da crítica à economia política capitalista.

O lançamento vai integrar a coleção Clássicos da Literatura em Mangá — que já adaptou para o mangá outras obras conhecidas da literatura e da filosofia. É o caso de O Príncipe, de Maquiavel; Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche; Crime e Castigo, de Dostoiévski; Fausto, de Goethe; Rei Lear, de Shakespeare; e Guerra e Paz, de Tólstoi.
A versão de O Capital em mangá não poderia vir em um momento mais apropriado. Muitos no Japão culpam o capitalismo — principal alvo de crítica na obra de Marx — pela atual crise financeira global.
Entre os principais conceitos da obra de Marx estão a exploração do trabalhador, as diferenças de classes sociais e o surgimento da moeda geradora do lucro. "Com a recessão econômica que o país enfrenta agora, esperamos uma boa saída de O Capital", disse o editor-chefe Kosuke Maruo à BBC Brasil.
Maruo garante, porém, que não foi proposital o lançamento da obra neste atual momento de crise. "Já estava nos planos da editora", disse ele, ao lembrar que um mangá, para ficar pronto, demora até cinco meses.


Sucesso de vendas



Apesar da East Press ser uma das poucas no mercado a trabalhar com clássicos da literatura mundial, o segmento de mangás no Japão já vem usando há anos os traços orientais dos desenhos para explicar diversos temas. Relações diplomáticas com a China, degustação avançada de vinhos, epidemia da gripe aviária, parábolas da Bíblia e até a capoeira já viraram mangá no país. O formato compacto, o baixo custo e a linguagem popular ajudam a transformar esse tipo de publicação em sucesso de vendas.
Da série Clássicos da Literatura em Mangá, outros dois títulos já estão no forno e devem chegar às livrarias no começo de 2009: Os Miseráveis, de Victor Hugo; e O Desespero Humano — Doença até a Morte, do teólogo e filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard.
Atualmente, o campeão de vendas da coleção é Kanikousen, inspirado na obra do escritor japonês Takiji Kobayashi. Em plena recessão japonesa, já foram vendidos mais de 500 mil exemplares da obra — que reconta a dura vida do proletariado que trabalhava nos barcos de pesca de caranguejo. Na seqüência de vendagem, vem Os Irmãos Karamasov, de Dostoiévski.

"Os títulos da série são obras que as pessoas conhecem — mas não têm muita paciência para ler até o fim", explica Maruo. Daí o sucesso de vendas. Ao todo, segundo o editor-chefe, já foram impressos 1,2 milhão de exemplares da coleção toda, com 27 títulos lançados até agora, sendo 13 de autores estrangeiros. O mangá de O Capital chega ao mercado com 30 mil cópias.


Fonte: Vermelho

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EU VI OS COMUNISTAS EM SÃO PAULO:SÃO JOVENS E CANTAM A 'INTERNACIONAL'


Por Rodrigo Viana


Representantes de mais de 70 países - de todos os continentes - participaram no último fim-de-semana, em São Paulo, do Décimo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

Escrevi sobre isso semana passada. E prometi que iria até lá conferir...

No sábado, fui ao ato público realizado na Quadra do Sindicato ds Bancários, no centro da capital paulista.
Havia muita gente, a quadra estava lotada de gringos e também de comunistas brasileiros. E o que me surpreendeu: havia muita gente jovem!

A imprensa tradicional tenta passar a imagem de que essa história de comunismo é papo de "dinossauros", de militantes velhos que têm saudade dos tempos da Guerra Fria.
Isso não é verdade. Pelo menos, levando-se em conta o que eu vi no encontro internacional de São Paulo.
Claro que também havia por lá muita gente de barba (afinal, os comunas mais antigos não abrem mão do velho estilo) e cabelos brancos. Mas, os jovens eram a maioria. E os mais empolgados quando, ao fim do ato público, todos se puseram de pé pra cantar a "Internacional": "de pé, ó vítimas da fome...".

Outro fato que me chamou atenção foi a temática, vinculada a temas bem contemporâneos.
Na mesa do encontro, por exemplo, havia um representante paraguaio, da frente de esquerda que levou Fernando Lugo ao poder. Havia também um senador do MAS boliviano. Os dois não falaram em materialismo dialético, nem em marxismo-leninismo. Mas, na importância dos movimentos indígenas na América Latina, e em como essas lutas indígenas se articulam com os partidos de esquerda.

Claro que não faltaram as homenagens aos ídolos tradicionais da esquerda, como Che Guevara, Ho Chi Min e o brasileiro João Amazonas...
O PCdoB fez o papel de anfitrião do encontro. Mas, também participaram - como convidados - outros partidos brasileiros como PDT, PSB e PT. Aliás, os dois representantes do Partido dos Trabalhadores (Arlindo Chinaglia e Walter Pomar) falaram sobre os "avanços" trazidos por Lula, mas curiosamente pareciam se desculpar diante da platéia ao falar do governo: "é um governo amplo, não é um governo de esquerda", disse Pomar; "apesar de muitos méritos, é um governo com insuficiências", lembrou Chinaglia.

"Insuficiências", parece-me, tem a defesa do Vasco da Gama. Ou o ataque da Portuguesa. O problema do governo Lula parece-me ser outro...

Durante o encontro, os estrangeiros foram mais benevolentes com Lula. Um deles chegou a colocar o brasileiro entre os que ajudam a América Latina a avançar rumo à superação do Capitalismo... Acho que o cara nunca ouviu falar em Henrique Meirelles, nem na fusão da OI com a Brasil Telecom...
A não ser que isso tudo seja uma tática camuflada para acirrar as "contradições internas" do capitalismo brasileiro. Mas, este já é outro assunto...

Aproveitei o encontro dos comunistas pra fazer algumas perguntas ao José Reinaldo Carvalho, Secretário de Relações Internacionais do PCdoB. Leia os principais trechos da entrevista logo abaixo.

Antes, um lembrete: José reinaldo será um dos convidados, nesta segunda, às 22horas, do programa de entrevistas que apresento na Record News: o "Entrevista Record - Mundo". Também estarão no estúdio representantes de partidos comunistas de outros países da América Latina.
O tema será justamente esse: como os comunistas se posicionam diante da crise mundial do Capitalismo?
O programa desta segunda debaterá, ainda, as eleições do último domingo na Venezuela - que podem ser decisivas para o futuro de Hugo Chavez e de sua Revolução Bolivariana.
Não perca!

(entrevista com José Reinaldo Carvalho - PCdoB)


1) Mais de 70 partidos participaram do encontro em São Paulo. No início do século XXI, o que une comunistas de países tão diferentes como Vietnã, Argélia, Suécia, India, França e Brasil?

Os partidos comunistas de todo o mundo não têm uma organização nem uma plataforma comuns. Mas, em geral, todos lutam pelo socialismo, tomando em consideração as peculiaridades nacionais. Unem-se na luta pela paz, contra as guerras de agressão e a militarização do planeta, na defesa dos direitos dos trabalhadores em luta contra as politicas socialmente regressivas características do capitalismo da época dos monopólios transnacionais e do capital financeiro.


2) É a primeira vez que um encontro desse tipo acontece no Brasil? Por que o país foi escolhido?

Vários fatores pesaram para a escolha do Brasil como país sede do 10º Encontro de Partidos Comunistas. O novo ambiente político na América Latina, onde estão em curso importantes mudanças políticas e sociais com a vigência de vários governos de esquerda e centro-esquerda foi sem dúvida um fator decisivo para a escolha. Pesou também o ambiente político do Brasil, onde há democracia, diálogo entre os comunistas e o governo e certa estabilidade política. Mas o fator decisivo foi a crescente influência política e ideológica do PCdoB, partido coerente em suas postulações estratégicas e capaz de atuar com suficiente habilidade tática a fim de abrir novos caminhos à luta por transformações políticas e sociais de fundo na sociedade brasileira. O PCdoB é também um partido com intensa atividade internacional, com muito prestígio entre as forças comunistas e antiimperialistas no mundo.


3) Em países como França, Portugal e Itália, os Partidos Comunistas parecem enfrentar uma crise grave – com redução do eleitorado, envelhecimento da militância, dificuldades em manter a imprensa partidária. Por que isso ocorre? Onde os Partidos Comunistas têm conseguido avançar?

De um modo geral, ainda vivemos um período de refluxo acarretado pelas derrotas sofridas a partir da liquidação do socialismo na antiga União Soviética e demais países do Leste europeu. A recuperação eleitoral dos comunistas é processo de médio e longo prazos. Não obstante, em Portugal e na Grécia os partidos comunistas têm alcançado vitórias eleitorais e mantido percentuais que oscilam em torno de 8%. Mas o crescimento da influência dos comunistas não se mede apenas pelo seu desempenho eleitoral. Há que observar também sua força nos movimentos sindical e social de um modo geral.


4) Na época de Marx, e na virada do século XIX para o XX, a Internacional Comunista tinha um papel importante, articulando os comunistas, unificando discursos e estratégias de ação. Depois da Revolução Russa, Moscou passou a centralizar as ações. Com a queda da União Soviética, os comunistas perderam força e as lutas pareciam se direcionar para outro tipo de organização , no estilo do que se passa no Fórum Social Mundial. O Encontro que ocorrerá em São Paulo é uma reedição da velha Internacional Comunista?

Não pretendemos recriar a Internacional Comunista. Esta foi uma organização atuante entre as décadas de 20 e 40 do século passado, na melhor tradição da Primeira Internacional fundada por Karl Marx e da Segunda. Infelizmente, esta última assumiu posições chauvinistas e reformistas durante a Primeira Grande Guerra (1914-1918). A Internacional Comunista desempenhou importante papel, mas pecou pelo dogmatismo de algumas das suas posições e numa determinada altura era uma espécie de correia de transmissão das orientações da política externa soviética. Hoje os tempos são outros. É necessária a unidade de ação entre os comunistas, mas não convém a criação de uma organização internacional rígida, assim como a existência de um centro único dirigente do movimento. Cada partido deve atuar em seu país com absoluta independência. A elaboração e aplicação de uma linha política é atribuição exclusiva de cada partido em seu âmbito nacional.


5) Qual a diferença entre encontros como este dos Partidos Comunistas e as reuniões anuais do Fórum Social Mundial?

A diferença está em que este Encontro reúne os Partidos Comunistas e o Fórum reúne os movimentos sociais. Há áreas de atuação comum, inclusive nada deveria impedir que os Partidos Comunistas se apresentassem também no Fórum Social Mundial, sem tolher a autonomia dos movimentos sociais. Existem também outras articulações de partidos de esquerda no sentido mais amplo, como por exemplo o Fórum de São Paulo, que reúne forças de esquerda no âmbito latino-americano e caribenho, no qual os Partidos Comunistas participam ativamente.


6) Até os anos 80 do século XX, muitos comunistas ainda acreditavam no método leninista: uma vanguarda militante tomaria de assalto o poder central, e dali comandaria o processo de construção do Socialismo. Foi assim na Rússia e em Cuba, por exemplo. Os comunistas seguem acreditando em Lênin? Ou o Socialismo hoje passa por uma guerra de posições, pela famosa “disputa de hegemonia” de Gramsci (pensador e líder comunista italiano)?

Não creio que existam contradições entre o pensamento de Lênin e o de Gramsci. Rigorosamente, Gramsci foi um marxista-leninista, tendo feito um esforço para adaptar o pensamento de Marx e Lênin à realidade de seu país e de sua época. O mesmo se pode dizer de José Carlos Mariátegui, considerado um dos fundadores do pensamento marxista-leninista na América Latina. Lênin defendia a existência do partido de vanguarda, mas não tinha uma visão conspirativa da tomada do poder. Ele combateu o “esquerdismo infantil” e defendeu a necessidade de o Partido Comunista “fundir-se com as massas”.


7) Marx ajuda a entender o que se passa hoje no centro do Capitalismo?

O pensamento econômico de Marx é atual. Agora, quando eclodiu a crise financeira como expressão da crise sistêmica e estrutural do capitalismo, circulou a informação de que na Alemanha esgotaram-se as edições de O CAPITAL.


8) Com a crise mundial do Capitalismo, os comunistas voltam a ganhar força?

A crise mundial do capitalismo põe a nu as contradições insanáveis desse sistema e os seus limites históricos. É um momento propício para fazer a denúncia viva do capitalismo, chamar os trabalhadores e os povos à luta pela verdadeira alternativa, que é o socialismo. Nesse empenho os comunistas podem desenvolver-se se encontrarem a linguagem e os métodos corretos de se acercar dos trabalhadores e do povo em geral.


Fonte: www.rodrigovianna.com.br

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Chávez diz que unilateralismo se acabou...

...e passou à história.

O estadista lamentou que o unilateralismo deixará seqüelas durante longo tempo, sobretudo para os que acreditaram cegamente no fundamentalismo do mercado. "Nós não", disse.

"Outra potência mundial, como a Rússia, é a China. Enfim, o mundo multilateral está no horizonte. Como expressou Putin em nosso encontro de três horas: abrem-se novas perspectivas", acrescentou.


"Esse horizonte, é uma nova geopolítica mundial que está em marcha. E está tão rápida como nós na Venezuela", agregou.


"Em nosso país temos uma expressão popular para dizer que temos que nos apressar: 'calça os patins e vamos embora' ", comentou.


"Tanto é assim", explicou, "que há apenas dois meses eu estava em visita a Moscou e já regressei a Rússia. Há menos de uma semana estava em Caracas o vice-primeiro ministro russo, Igor Sechin, e agora estamos aqui, trabalhando junto com ele".

Chávez recordou que, dentro de dois meses, entrará em sessão em Caracas a Comissão Inter-governamental de Alto Nível (CIAN), encabeçada por Sechin e o vice-presidente venezuelano Ramón Carrizales.

"Caminhamos rápido, como dizem nossos jovens, nós calçamos os patins do socialismo", enfatizou o líder sul-americano.

"A juventude socialista venezuelana inventou um lema: calça os sapatos do socialismo. Agora desde a Rússia nós dizemos: calcem os sapatos da nova geopolítica mundial. É o mundo em equilíbrio de que falaram Simón Bolívar e José Martí", concluiu o presidente.


fonte: www.vermelho.org.br

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Furacão passa pelo Caribe e EUA e mata 85; nenhum é cubano

Peço desculpas aos leitores do blog, pelas poucas postagens nos últimos meses. Estamos com muito pouco tempo devido à campanha eleitoral, passamos por um processo de importância fundamental para nossas cidades e nosso país, onde em inúmeros lugares as forças progressistas se desafiam a construir as condições necessárias para as mudanças mais profundas que o Brasil precisa. Por isso acabamos priorizando a campanha que somada as nossas tarefas diárias acabam por nos deixar com pouquíssimo tempo para cuidar melhor do blog. Mas a medida do possível estaremos trazendo novas, e após 5 de Outubro certamente voltaremos a ter postagens todos os dias.
Desde já obrigado pela compreensão.
O furacão Gustav deixou no Caribe um saldo de 85 mortos e um dado revelador: nenhum deles era cubano. Mais uma vez, os meios de comunicação ocidentais tiveram de engolir outro sapo que, provavelmente, teriam esfregado as mãos se a história tivesse sido diferente. Terão de seguir espreitando.

Por J.M. Álvarez, para o Kaos en la Red

O Gustav tocou a terra cubana no sábado, 30 de agosto, com ventos de 240 quilômetros por hora, isto é, Furacão de Categoria 4 na escala Saffir-Simpson.
A província mais afetada foi Pinar del Río. Em sua trajetória pela ilha, o furacão deixou 18 pessoas feridas, nenhuma gravemente, e destruiu, total ou parcialmente, 90 mil casas. Todas serão reconstruídas.
O Gustav tocou terra americana na segunda-feira, 1.º de setembro, na costa do Golfo do México, a oeste de Nova Orleans, com categoria 2, ou seja, a metade da força com a qual golpeou Cuba, mas provocou, no mínimo, 7 mortes e causou danos variados a 80 mil residências, como casas alagadas e com destroços (além de cortes de eletricidade).
Os proprietários das casas terão de resolver por suas próprias contas os danos. Pobre daquele que não tiver seguro.
Hugo Chávez recomendou à Casa Branca, horas antes da chegada do furacão, que atendesse melhor a população, para que não se repetisse o que aconteceu em 2005, com o furacão Katrina.
Embora a limpeza étnica de 2005 (a maioria dos mortos eram negros) não tenha se repetido nesta ocasião — devido em parte às críticas que o governo Bush recebeu então — a presença, novamente, de vítimas fatais evidencia que Washington não deu muita bola às recomendações do presidente venezuelano.
Levando em consideração que não há valor maior que a vida humana, portanto supera qualquer outro tipo de perda, as cifras falam por si próprias:
O Gustav, um furacão de categoria 4, quando passou por Cuba, não causou vítima fatal alguma em um país pobre e subdesenvolvido.
O Gustav, um furacão de categoria 2, quando chegou aos EUA, matou sete pessoas (até esta data) no país mais rico e poderoso do planeta.
Cabe a pergunta:
Quem se preocupa pelos seus cidadãos sem exceção?

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