Lutas populares e democráticas no Brasil

Todas as quartas-feiras realizaremos postagens que farão um resgate das lutas sociais, populares e democráticas do povo brasileiro, traçando um singelo relato das inúmeras lutas travadas em nosso país para a construção de um marco real de cidadania e dignidade a todos brasileiros e brasileiras, iniciaremos com a A luta contra a Escravidão no Brasil.


Rompendo com a “historiografia nacional oficial” (altamente contaminada por um etnocentrismo racista), que classifica o brasileiro como acomodado, sem grandes interesses por causas maiores, como se todas as conquistas sociais tivessem caído no colo do povo, tudo fruto do beneplácito das classes dominantes, ousamos através destes textos, retratar fatos históricos que demonstram justamente o contrário, que o povo brasileiro em diversos momentos de nossa história assumiu lutas que oportunizaram mudanças em nosso país, abordaremos essas lutas construindo assim um patrimônio das lutas sociais e populares de nosso país.
Uma das lutas mais extensa e dura foi a luta pela abolição da escravatura, uma ferida que ficou aberta ao longo de 4 séculos de nossa história, custou a vida e liberdade de muitos e foi sem sombra de dúvida uma das causas elementares para que o Brasil adotasse a forma republicana de governo.
O sistema escravocrata foi a estrutura econômica que sustentou não só o Brasil-colônia e a metrópole Portugal, como o império que se instalou em terras tupiniquins, ocasionou um verdadeiro massacre e deixou muitas pessoas ricas e outras milhares sem vida...
Vários foram os ciclos econômicos que utilizaram a mão-de-obra escrava, não somente negra, mas indígena também, embora a imensa maioria fosse de africanos, atividades como extração de vegetais (pau-brasil), minérios (ouro, diamantes), lavoura (canavieira, algodão), na elaboração do Charque (devido às condições de trabalho e a exposição ao sal, a média de “vida útil” de um escravo em uma charqueada não passava de 5 anos), fora as lides domésticas, amas de leite e outros locais em que seres humanos não passavam de meros objetos patrimoniais de um senhor, fidalgo ou pároco, pois é a Igreja sempre apoiou a escravidão, inclusive respaldava a escravidão, pois durante séculos debateu se negros e índios possuíam alma e se eram dignos do “reino do senhor”...
A luta contra a escravidão se deu nos mais variados campos, tanto no cultural, no artístico, quanto no campo da insurreição popular mesmo, prova disto são os quilombos onde os negros se reuniam e construíam um espaço de liberdade longe do trabalho forçado e do açoite do patrão e do capitão do mato, um exemplo nítido de processo de fossilização, onde um indivíduo de um extrato social era aliciado para caçar indivíduos do mesmo extrato.

Semana que vem trataremos sobre o tráfico negreiro, as condições de vida, na África, a viagem e o modo de vida e produção aqui na América.

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Charge




Essa charge foi enviada pelo camarada Marcus Zuanazzi, que foi militante da UJS e do PCdoB, hoje estuda medicina em Cuba. Sempre nos enviando vários textos e dicas.
Valeu pela força de sempre camarada.
Grande abraço

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Brasileiros solidários com Cuba após furacões

Os cubanos que vivem no Brasil, reunidos com outras entidades no Clube de Engenharia na última segunda-feira (29), lançaram uma ampla campanha de ajuda humanitária a Cuba, face à destruição causada pelos furacões Gustav e Ike. A campanha será lançada no Rio, no próximo dia 10, em local a ser definido.
A campanha tomou como título uma frase de José Martí, herói nacional em Cuba: ”Com o amor renasce a esperança”. Para um país que já sofre as conseqüências do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, o momento atual é de enormes dificuldades.
Os prejuízos são calculados em US$ 5 milhões. Cerca de 3 milhões de pessoas, quase um quarto da população, teve que abandonar suas casas. Os furacões danificaram 470 mil prédios e derrubaram 168 mil.
Em menos de 10 dias, a ilha foi devastada por dois furacões. O Gustav atingiu a parte oeste de Cuba no dia 30 de agosto, movendo-se para noroeste e chegando ao sul do Golfo do México. Em 9 de setembro o Ike chegou à capital cubana, Havana, trazendo chuvas e ventos.
O Gustav e o Ilke cruzaram a ilha furiosamente. Arrasaram a agricultura, casas, escolas, hospitais. A rede elétrica foi destruída. Da safra de açúcar, sobrou um terço. Morreram sete pessoas – o que para Cuba é muito, pois o país é mundialmente conhecido pela eficácia de seus planos de evacuação em caso de catástrofes naturais.
A campanha aposta no espírito solidário do povo brasileiro, que sempre teve grande afinidade e simpatia pelo povo cubano. Além disso, vivem no Brasil cerca de 2.500 cubanos, muitos deles médicos, em programas de intercâmbio. A ajuda poderá ser prestada de várias formas: 1) Captação de recursos financeiros junto a pessoas físicas e jurídicas, por meio de depósitos em contas bancárias a serem criadas com esse objetivo;
2) Doação de alimentos não perecíveis e de medicamentos, assim que forem definidos os locais de armazenamento e procedimentos de envio a Cuba;
3) Artigos de primeira necessidade que serão especificados durante a campanha.
Para estimular a participação foi criada uma página na internet – www.porcuba.com.br. Os interessados terão acesso a todos os passos da campanha, com informações sobre os recursos financeiros captados e materiais doados. O endereço eletrônico para contato é porcuba@porcuba.com.br.A União de Jornalistas de Cuba (Upec) solicita a colaboração dos jornalistas e comunicadores brasileiros.
Os coordenadores da campanha pretendem que as contribuições materiais cheguem aos lugares mais necessitados de Cuba, contando com o apoio das autoridades dos dois países, para alcançar seus objetivos. Você também pode contribuir, difundindo desde já essas informações.

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Reflexões do companheiro Fidel: A Lei da Selva

O comércio dentro da sociedade e entre os países é o intercâmbio de bens e serviços que produzem os seres humanos. Os donos dos meios de produção se apropriam dos lucros. Eles dirigem, como classe, o estado capitalista e se gabam de serem os impulsionadores do desenvolvimento e do bem-estar social através do mercado, ao qual se rende culto como deus infalível.
Dentro de cada país é a concorrência entre os mais fortes e os mais fracos, os de maior força física, os que se alimentam melhor, os que aprenderam a ler e a escrever, os que freqüentaram escolas, os que acumulam mais experiência, maiores relações sociais, mais recursos, e os que carecem dessas vantagens dentro da sociedade.
Entre países, os que têm melhor clima, mais terra cultivável, mais água, mais recursos naturais no espaço em que lhes coube viver quando não existem mais territórios que conquistar, os que dominam as tecnologias, os que possuem maior desenvolvimento e manejam infinitos recursos midiáticos, e os que, pelo contrário, não desfrutam de nenhuma dessas prerrogativas. São as diferenças, às vezes abismais entre as que se qualificam como nações ricas ou pobres.
É a lei da selva.
As diferenças entre as etnias não existem no relativo às faculdades mentais do ser humano. Isso está mais que provado do ponto de vista científico. A sociedade atual não foi a forma natural em que evoluiu a vida humana; tem sido uma criação do homem já mentalmente desenvolvido, sem a qual não se pode conceber sua própria existência. Portanto, a questão que se põe é se o ser humano poderá sobreviver ao privilégio de possuir uma inteligência criadora.
O sistema capitalista desenvolvido, cujo máximo expoente é o país de natureza privilegiada aonde o homem branco europeu levou suas idéias, seus sonhos e suas ambições, hoje se encontra em plena crise. Não é a crise habitual cada certo número de anos, nem sequer a traumática dos anos trinta, mas sim a pior de todas desde que o mundo seguiu esse modelo de crescimento e desenvolvimento.
A atual crise do sistema capitalista desenvolvido acontece quando o império está próximo a mudar de chefia nas eleições que se realizarão dentro de vinte e cinco dias; era a única coisa que faltava por ver.
Os candidatos dos dois partidos que decidem nessas eleições, tentam persuadir os votantes desconcertados ―muitos dos quais nunca se preocuparam por votar― de que eles, como aspirantes à presidência, são capazes de garantir o bem-estar e o consumismo do que qualificam de um povo de camadas médias, sem o menor propósito de verdadeiras mudanças no que consideram o mais perfeito sistema econômico que tem conhecido o mundo; um mundo que, logicamente, na mentalidade de cada um deles, é menos importante do que a felicidade de trezentos e tantos milhões de habitantes de uma população que não chega a 5% dos habitantes do planeta. A sorte do outro 95% dos seres humanos, a guerra e a paz, a atmosfera respirável ou não, dependerá em grande medida das eleições do chefe institucional do império, se é que esse cargo constitucional tem ou não poder real na época das armas nucleares e dos escudos espaciais conduzidos por computadores em circunstâncias tais que os segundos são decisivos e os princípios éticos têm cada vez menos vigência. Entretanto, não pode ser ignorado o papel mais ou menos nefasto que corresponde a um presidente desse país.
Nos Estados Unidos existe um profundo racismo, e a mente de milhões de brancos não se reconcilia com a idéia de que uma pessoa preta, com a esposa e os filhos, ocupem a Casa Branca, que se chama assim: Branca.
De puro milagre o candidato democrata não tem sofrido a sorte de Martin Luther King, Malcolm X e outros, que albergaram sonhos de igualdade e justiça em décadas recentes. Além disso, tem o costume de olhar para o adversário com serenidade, e rir dos apertos dialéticos de um oponente que enxerga para o vazio.
Por outro lado, o candidato republicano, que cultiva sua fama de homem belicoso, foi um dos piores alunos de seu curso em West Point. Não sabia nada de Matemáticas, segundo ele próprio confessa, e é de supor que muito menos das complicadas ciências econômicas.
Sem dúvida, seu adversário o supera em inteligência e serenidade.
O que mais abunda em McCain são os anos, e sua saúde não é para nada segura.
Menciono esses dados para assinalar a eventual possibilidade ―se alguma coisa acontecesse com a saúde do candidato republicano, se o elegerem― de que a senhora do rifle e inexperiente ex-governadora do Alasca fosse Presidenta dos Estados Unidos. Vê-se que não sabe nada de nada.
Meditando sobre a dívida pública atual dos Estados Unidos que o presidente Bush descarrega sobre as novas gerações nesse país ―10,3 quatrilhões―, passou-me pela mente fazer o cálculo do tempo que levaria um homem para contar a dívida que ele praticamente tem duplicado em oito anos.
Supondo oito horas de trabalho diário sem perder um segundo, ao ritmo rápido de cem notas de um dólar por minuto, 300 dias de trabalho por ano, um homem tardaria 715 mil anos para contar essa quantidade.
Não encontrei outra forma gráfica de me imaginar o volume dessa quantidade de dinheiro que se menciona quase diariamente por estes dias.
O governo dos Estados Unidos, para evitar um pânico generalizado, declara que garantirá depósitos de poupadores que não ultrapassem os US$ 250 mil; administrará bancos e cifras de dinheiro que Lenine, com ábacos, não teria imaginado contabilizar.
Podemos perguntar-nos agora, qual é a contribuição que fará a administração Bush ao socialismo? Mas não vamos fazermos ilusões. Quando o funcionamento dos bancos ficar normalizado, os imperialistas as devolverão às empresas privadas, como fez algum que outro país neste hemisfério. O povo sempre paga as contas.
O capitalismo tende a se reproduzir em qualquer sistema social, porque parte do egoísmo e dos instintos do homem.
À sociedade humana não tem outra alternativa que ultrapassar essa contradição, porque de outra forma não poderia sobreviver.
Neste momento, as somas de dinheiro que lhes lançam às finanças mundiais os bancos centrais dos países capitalistas desenvolvidos está golpeando fortemente as bolsas dos países que tentam vencer o subdesenvolvimento econômico e recorrem a essas instituições. Cuba não possui bolsa de valores. Sem dúvida surgirão formas de financiamento mais racionais, mais socialistas.
A crise atual e as brutais medidas do governo dos Estados Unidos para se salvar, terão mais inflação, mais desvalorização das moedas nacionais, mais perdas dolorosas dos mercados, menores preços para as mercadorias de exportação, mais intercâmbio desigual. Porém trarão também aos povos maior conhecimento da verdade, maior consciência, maior rebeldia e mais revoluções.
Veremos agora como se desenvolve a crise e o que vai acontecer nos Estados Unidos dentro de 25 dias.

Fidel Castro Ruz
11 de outubro de 2008
18h15 •
Fonte: Granma Internacional

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Crise nos EUA e onda de desemprego

No mesmo dia em que a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, por 263 votos a favor e 171 contra, a nova versão do pacote de socorro ao sistema financeiro, que sugará US$ 850 bilhões dos cofres públicos, o governo ianque divulgou um novo recorde de desemprego no país. Baita ironia! Segundo o informe oficial, em setembro foram eliminadas 159 mil vagas nas empresas, o maior número de demissões desde março de 2003. O facão atingiu todos os setores da economia, o que indica que a crise no mundo da especulação financeira bateu com força na economia real.

Foi o nono mês seguido de corte de vagas, na pior sequência desde 2001, ano da última recessão neste país. A taxa de desemprego bateu em 6,1%; quando Georg Bush tomou posse, em 2001, ela era de 3,9%. As reduções mais drásticas ocorreram na indústria (51 mil) e no comércio varejista (40 mil). A construção civil, principal vítima da crise do subprime do setor imobiliário, eliminou 35 mil vagas e as atividades financeiras cortaram 17 mil empregos.

Miséria bate recorde

Até setembro, já foram eliminados 760 mil postos de trabalho. As projeções indicam que o ano terminará com mais de 1 milhão de trabalhadores demitidos – algo raro na história dos EUA, que só aconteceu quatro vezes (1946, 1949, 1982 e 2001). Com mais este desastre, George Bush, o presidente-terrorista desta nação imperialista, deverá deixar a Casa Branca pela porta dos fundos. Nem o candidato do seu partido, o republicano John McCain, aceita aparecer ao lado do “homem bomba”, já considerado em pesquisas com o pior presidente da história dos EUA. Nos seus dois trágicos mandatos, a vida dos trabalhadores virou um verdadeiro inferno.

O Census Bureau, instituto oficial de estatísticas, divulgou recentemente que o número de pobres atingiu 36,5 milhões de pessoas. Já a Academia Nacional de Ciências, órgão independente e mais rigoroso nos cálculos, fixa em 41,3 milhões de pobres, um recorde histórico. O trabalho parcial, temporário e precário é um dos mais altos do mundo, já que impera no país a total desregulação trabalhista, e os salários não têm aumento real, acima da inflação, há anos. Cerca de 47 milhões de pessoas não têm proteção à saúde e 8,7 milhões de crianças estão sem assistência social.

O inferno dos imigrantes

A crise atinge mais duramente os imigrantes – os milhões de miseráveis da periferia capitalista atraídos pelo “paraíso do consumo”. Há 12 milhões de latino-americanos – incluindo um milhão de brasileiros – na triste condição de ilegais, já chamados de “escravos modernos”. O imigrante coloca a vida em risco ao atravessar o “muro da vergonha”, que separa o México dos EUA. Na parte mexicana, ele é espoliado por máfias criminosas que cobram até US$ 12 mil pela travessia ilegal – dormindo em barracas de lona, sem higiene e com péssima alimentação.

Já no território ianque, o imigrante é perseguido por 17 mil soldados – só em abril passado, 4.802 brasileiros foram detidos, uma média de 160 ao dia. Ele também é alvo dos sádicos empresários, que pagam para participar das caçadas organizadas por grupos racistas, como a Gatekeeper. Em 2006, ocorreram 441 mortes na fronteira. Os que ingressam nos EUA são explorados como mão-de-obra barata, nos trabalhos mais penosos e perigosos e sem direitos à rede pública de hospitais e escolas. O imigrante é o retrato da miséria na pátria do capitalismo, que agora afunda na crise.

Revolta contra o pacote

Este cenário explica o forte repúdio ao pacote de socorro financeiro elaborado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. Diariamente ocorrem protestos na Casa Branca contra a ajuda de US$ 850 bilhões aos bancos. A sociedade não quer arcar com o aumento da dívida interna, que cortará investimentos públicos e, como efeito, causará mais desemprego e miséria. Não aceita “salvar”, com o dinheiro dos seus tributos, dezenas de bancos investigados por práticas ilícitas e nem topa pagar a conta da desregulamentação financeira. Não quer jogar cash for trash (dinheiro no lixo).

Conforme relata o jornalista Luiz Carlos Azenha, “há muito tempo não se via revolta tão grande como nos últimos dias nos EUA. Num movimento aparentemente sem lideranças, centenas de milhares de norte-americanos protestaram contra o plano de socorrer Wall Street... A oposição ao pacote juntou gente da esquerda à direita. Eleitores republicanos comparam a intervenção estatal ao ‘socialismo’, enquanto democratas protestam contra o que seria uma recompensa àqueles que estão na origem da crise”. O clima é de repulsa, o que alavanca a candidatura de Barack Obama.

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/

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Um balanço parcial das eleições municipais

O novo mapa político do país, advindo das eleições municipais, somente será consolidado com o segundo turno marcado para 26 de outubro. Dependendo dos resultados finais nas 29 cidades que retornarão às urnas – das 5.563 existentes no país e que incluem pesos-pesados como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre –, a correlação de forças institucionais ficará mais definida, assim como os seus desdobramentos para a sucessão presidencial em 2010. Apesar deste hiato de tempo, já é possível fazer um balanço parcial do pleito, que destoa do coro orquestrado pelo bloco liberal-conservador e pelo grosso da sua mídia manipuladora. Aparente calmaria e reeleiçãoUma primeira marca do pleito foi a expressiva reeleição dos atuais governantes, o que deu certo tom de continuísmo ao embate. Dos 20 prefeitos que concorreram à reeleição, 13 venceram já no primeiro turno e os outros sete disputarão a nova rodada em boas condições. Até os governantes avaliados negativamente pelas pesquisas, como João Henrique (Salvador) e Serafim Correa (Manaus), demonstraram força na reta final da campanha. Mesmo Gilberto Kassab, do demo de São Paulo, deve sua surpreendente votação a este fenômeno nacional. Para efeito de comparação, em 2004, apenas cinco prefeitos foram reeleitos; nesta eleição, nenhum foi derrotado até agora.Este fenômeno deriva da situação de aparente calmaria no país, resultante do tímido crescimento da economia e da melhora de alguns índices sociais, com a queda do desemprego e o aumento da renda. Os bons ventos da economia elevaram a arrecadação e reforçaram o caixa das prefeituras, o que permitiu maiores investimentos em infra-estrutura e benfeitorias sociais. A receita corrente nas capitais atingiu a média de R$ 59,6 bilhões em 2007, contra R$ 41 bilhões em 2006. Muitas obras nas cidades ainda receberam investimentos federais, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Todos os prefeitos, inclusive tucanos e demos, surfaram nesta “onda Lula”. Segundo vários analistas políticos, este cenário reforçou a tendência conservadora do eleitorado, que prefere a segurança e não quer mexer no que está dando certo. “Aconteceu o que chamamos de efeito bem-estar, que favorece quem está no poder”, avalia o sociólogo Paulo Kramer. Tanto que as campanhas eleitorais priorizaram os temas administrativos, secundarizando o debate mais politizado. Até tucanos e demos raivosos, como o ACM Neto, famoso pela bravata de que daria uma “surra no presidente”, evitaram politizar a disputa e tentaram vender a imagem de “amigos de Lula”. Isto não salvou ACM Neto da surra nas urnas. A vingança do eleitor foi maligna!Derrota dos tucanos e demosApesar do fenômeno, nas cidades em que houve renovação no primeiro turno, a oposição liberal-conservadora foi a maior derrotada. Tucanos e demos, como era natural, ainda tentam disfarçar o fiasco e contam com a ajuda da mídia, que amplifica a mentira do “empate”. Mas os números são taxativos. O DEM-PFL perdeu 176 prefeituras – tinha 670 e ficou com 494. Ele viu sumir quase 2 milhões de eleitores entre 2004-08. Nas capitais, demos famosos, como Cesar Maia e ACM Neto, foram rejeitados pelos eleitores. O partido foi o maior derrotado do pleito e agora aposta todas as suas fichas na capital paulista, até como forma de evitar a sua extinção do mapa político.O PSDB perdeu 109 prefeituras e 1,225 milhão de votos no período. Os tucanos ainda mantêm a sua hegemonia em São Paulo, principal laboratório e plataforma das idéias neoliberais, mas saiu fraturado do pleito. Após o vexame do primeiro turno na capital, no qual o seu candidato oficial, Geraldo Alckmin, foi cristianizado, o partido tenta colar os cacos para viabilizar o demo Kassab. No Rio de Janeiro, aposta no verde-tucano Fernando Gabeira. A eleição também acirrou a briga entre os presidenciáveis José Serra e Aécio Neves. Já o PPS, sob a trágica batuta oposicionista de Roberto Freire, também encolheu, perdendo 70 prefeituras e 2.151milhões de eleitores.Crescimento do PT e dos aliadosNo extremo oposto, a eleição municipal presenciou o consistente crescimento do PT e das forças de esquerda da base de sustentação do atual governo. O partido do presidente Lula, por motivos óbvios, foi o principal beneficiário da sua crescente popularidade e dos bons ventos na economia. Sai da eleição como recordista no aumento do número de prefeitos: tinha 391 e elegeu 548. Nas 26 capitais e nas 53 cidades com mais de 200 mil habitantes, o chamado G-79 – que reúne quase 47 milhões de votantes, o equivalente a 36,4% do eleitorado brasileiro –, o partido também foi o maior vencedor: ganhou em 13 cidades e disputará o segundo turno em outras 15.PCdoB, PSB e PDT, que formam o “bloco de esquerda”, também obtiveram expressivas vitórias. Os comunistas, que adotaram uma postura eleitoral mais ousada, superando a tática da coligação-concentração, conquistaram 39 prefeituras: em 2004, o partido elegeu 10 prefeitos; outros nove ingressaram posteriormente. Já o PSB elegeu 309 governantes; tinha 214; e o PDT pulou de 311 para 344. O bom desempenho dá maior musculatura ao “bloco de esquerda” na sua relação com o PT e o governo Lula. A vitória deste campo só não foi maior devido a alguns erros grosseiros, como os que resultaram do hegemonismo do PT nas eleições do Rio de Janeiro e Florianópolis. Centro como fiel da balançaOutra marca do primeiro turno foi o crescimento das forças políticas mais de centro, que passam a jogar um papel ainda mais decisivo, de fiel da balança, no processo da sucessão presidencial. O PMDB, uma frente partidária que reúne desde aliados fiéis até adversários ferrenhos do governo Lula, elegeu 1.194 prefeitos, 134 a mais do que em 2004. É o partido com o maior número de prefeituras no país. Já o PTB e outros partidos centristas da eclética base de apoio do governo também se deram bem nas urnas, aumentando seu número de prefeituras e vereadores.Este balanço parcial, como já foi dito, só será mais conclusivo com o resultado das eleições no segundo turno. Uma vitória do demo Gilberto Kassab em São Paulo, devido ao peso político e econômico desta capital, embaralha todo o quadro da correlação de forças. Será encarada como um forte impulso da candidatura presidencial do tucano José Serra, além de ressuscitar o falido DEM-PFL. Já a vitória das esquerdas em Salvador e Porto Alegre terá efeito inverso. Nos casos do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, o quadro é mais complicado e exige meticulosa reflexão.
O próximo artigo abordará “os acertos e erros das esquerdas na eleição”.



Depois de algum tempo sem postar no Blog, devido à falta de tempo, trago o primeiro de uma série de artigos de Altamiro Borges sobre as eleições municipais. O Texto é grande, mas vale a leitura. Miro é jornalista e membro do Comitê Central do PCdoB.
Ainda essa semana, espero estar postando a análise da atuação da UJS nas eleições de Caxias. Peço desculpas por termos postado tão pouco nos últimos meses, mas o tempo estava curto por conta da campanha.
Ahá ultrapassamos as 1000 visitas, muito obrigado por acompanharem o Blog.
Gostaria também de agradecer o Michael que tem contribuído muito com a manutenção deste espaço.

Abraços

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Assis Melo é eleito vereador mais votado em Caxias do Sul (RS)

O PCdoB de Caxias do Sul conquistou duas vagas na Câmara de Vereadores, dobrando a sua presença. A surpresa foi a expressiva votação obtida pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Assis Melo, que alcançou 8.399 votos, a maior da cidade, com 3,52%. O também metalúrgico, Renato Oliveira, garantiu a reeleição com 4.498, ou 1,89% dos votos válidos e foi o terceiro mais votado da coligação (PT/PCdoB).



A vez e a voz do trabalhador

''A cidade do trabalho também será a cidade do trabalhador'': este foi o slogan do candidato a vereador mais votado de Caxias do Sul. Melo teve como foco principal da sua campanha a luta dos trabalhadores por mais direitos e por uma cidade melhor.


Melo credita o resultado ao seu compromisso e sua história de lutas junto aos trabalhadores e ao papel do PCdoB, partido que, segundo ele, compreende a importância da elevação da consciência transformadora do povo e dos trabalhadores, que devem ocupar espaço político para fazerem avançar as suas lutas. ''Devo esta vitória ao PCdoB que dá a oportunidade a um trabalhador, uma pessoa do povo, chegar a um espaço tão importante como este. E, fundamentalmente, aos meus companheiros e companheiras, trabalhadores e trabalhadoras desta cidade.''

Emocionado com o resultado, Melo fez referência ao slogan do Sindicato dos Metalúrgicos que evidencia o papel ativo dos trabalhadores na sociedade: ''A nossa classe fazendo história''. Para ele, este resultado reforça a luta dos trabalhadores em Caxias do Sul, com a ampliação da bancada do PCdoB.


Continuar a luta
O vereador reeleito do PCdoB, Renato Oliveira, vai agora para o terceiro mandato. Também metalúrgico, como Assis Melo, Oliveira tem trabalho intenso junto à sua comunidade, o bairro operário Nossa Senhora de Fátima, no qual obteve mais de 2.600 votos. ''Fiquei muito feliz com o resultado, pois demonstra o reconhecimento da população com o nosso trabalho e também porque o nosso partido saiu reforçado da eleição, já que ampliamos o nosso espaço na Câmara''.

Não deu para a majoritária
O PCdoB caxiense comemora a vitória na eleição de vereadores mas lamenta a derrota da chapa majoritária. O partido participou da eleição com a candidata a vice, Abgail Pereira, na chapa da Frente Popular, que foi capitaneada pelo petista Pepe vargas. O vencedor foi o candidato do PMDB, José Sartori, que garantiu a reeleição com 54,35% dos votos. Pepe obteve 45,65%.


Abgail avaliou como muito positiva a participação do PCdoB na eleição em Caxias. Destacou a ''tática acertada e ousada'' que os comunistas colocaram em prática ao lançar chapa com oito candidatos a vereador e ao participar com a vice na majoritária. ''Sinto a sensação do dever cumprido, apesar de não termos vencido a eleição para a Prefeitura. O PCdoB teve um grande desempenho. Este processo ampliou o prestígio do nosso partido e também foi um aprendizado''.

Para ela, a campanha da Frente Popular conseguiu dialogar com a cidade e mostrar propostas comprometidas com mais avanços para os Caxienses. ''Temos que respeitar a vontade do povo, que escolheu a continuidade do caminho que estava a frente da prefeitura'', disse. Abgail complementou dizendo que sai desta eleição com a certeza da importância da participação eleitoral do PCdoB. ''É importante acreditar neste sonho da transformação e da luta por cidades mais humanas, com políticas que possam atender às pessoas que mais precisam.''

Segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Sul, com 295.264 eleitores, a cidade de Caxias do Sul contou com apenas dois candidatos a prefeito.


De Porto Alegre
Clomar Porto

fonte: www.vermelho.org


Nota: infezlimente, por falta de tempo, recursos e principalmente de criatividade, estamos escassos de notícias do cotidiano, então estamos providenciando as mais repercutidas da semana para postar no blog.

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© 2008 Por Giovane D. Zuanazzi , Douglas T. Finger