Alemães procuram Marx para explicar a crise



Karl Marx está de volta. Ao menos, este é o veredito dos editores e livreiros da Alemanha, que asseguram que suas obras estão voando nas estantes. A crescente popularidade é creditada, naturalmente, à crise econômica em curso. ''Marx entrou de novo na moda'', diz Jörn Schütrumpf, da editora Karl-Dietz, que publica as obras de Marx e Engels em alemão.
Por Kate Connolly no jornal britânico The Guardian*




''Estamos assistindo a um crescimento muito visível da procura por seus livros, procura que esperamos que cresça ainda mais pronunciadamente até o fim do ano'', diz ele.

Onde está a felicidade neoliberal?

A obra mais popular é o primeiro volume da obra mais marcante, O Capital. Conforme Schütrumpf, os leitores típicos são ''aqueles da nova geração acadêmica, que chegaram à conclusão de que as promessas neoliberais de felicidade não se mostraram verdadeiras''.
As livrarias pelo país afora estão registrando marcas semelhantes: aumento de mais de 300% nas vendas (embora o fato de não especificarem números sugiram que não eram vendas tão elevadas).
Fenômenos literários vêm e vão, e é bom constatar que o mercado nem sempre é direcionado por superficiais campanhas de marketing. Assim como [o escritor inglês] Rudyard Kipling se rejubilaria ao ver que voltou à moda o seu poema The Gods of the Copybook Headings – que contém os certeiros versos ''Tombaram então os deuses do mercado / e recuaram seus bruxos de lábia sutil'' (''Then the Gods of the Marked tumbled / and their smooth-tongued wizards withdrew'') –, também Marx se sentiria aliviado com a idéia de que uma crise econômica reacendeu o interesse por seus livros (Não, ao que percebo, devido aos incrementados direitos autorais que teria recebido nos últimos meses, caso ainda vivesse).


''Marx está vencendo o páreo''

Alemães em número crescente parecem dispostos a se proclamarem fãs de Marx, numa época em que virou moda repetir a crença do filósofo, de que o capitalismo com seus excessos de cobiça terminaria por se destruir. Quando Oskar Lafontaine, líder do crescente partido de esquerda alemão Die Linke (A Esquerda), disse que incluiria a teoria marxista no manifesto da nova sigla, para sublinhar seus planos de estatização parcial das finanças e do setor energético da nação, foi taxado pelo tablóide Bild de ''maluco esquerdista'' que ''perdeu o rumo''. Mas agora o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrück, que deve ter perdido algumas noites de sono nas últimas semanas, que se declarou também um fã: ''Em geral, é preciso admitir que certas partes da teoria de Marx na verdade não são tão ruins assim'', disse ele cautelosamente à revista Der Spiegel.
''Por estes dias Marx está vencendo o páreo para encantar o público'', comentou Ralf Dorschel no Hamburger Abendblatt.
Para aqueles que não estão prontos para mergulhar na teoria marxista, a correspondência entre Marx e Friedrich Engels durante uma crise econômica americana daquele tempo pode servir como literatura mais amena: ''O crash americano dá gosto de ver e está longe de ter acabado'', escrevia ele em 1857, prevendo para breve o iminente e completo colapso de Wall Street.


Fonter: Vermelho

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Aldo Rebelo: ''Serra perdeu o rumo e foi injusto''





O candidato a vice-prefeito de São Paulo, na chapa de Marta Suplicy (PT), Aldo Rebelo (PCdoB), criticou a postura do governador José Serra de creditar a greve da polícia civil ao movimento eleitoreiro. ''O Serra perdeu o rumo. Ele foi injusto e não honrou a sua tradição democrática'', disse Aldo, referindo-se às declarações dadas pelo governador do Estado, José Serra (PSDB), ontem à noite, sobre o conflito ocorrido entre a Polícia Civil e a Polícia Militar.


Segundo o candidato, o movimento da polícia civil é porque o salário em São Paulo é incompatível com o do restante da categoria no país. Aldo ressalta que esse é o grande problema da questão e que deve ficar bem claro.
Ontem, policiais civis em greve desde 16 de setembro realizavam uma passeata quando entraram em confronto com policiais militares em São Paulo. O conflito ocorreu quando os manifestantes teriam tentado furar um bloqueio da PM em um área de segurança do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Policiais militares chegaram a utilizar bombas de gás e efetuar tiros com balas de borracha. 32 pessoas ficaram feridas.
O governador José Serra associou o protesto a entidades sindicalistas e disse que a manifestação tem cunho ''político-eleitoral''. Só não explicou como pode ter cunho eleitoral uma reivindicação que envolve questões estaduais se as eleições são municipais.
''O discurso utilizado pelo Serra foi o mesmo que era utilizado contra ele, Serra, quando era estudante e deputado e que apoiava movimentos sociais'', declarou, durante um encontro, no final da manhã, promovido entre a candidatura petista e um grupo de taxistas paulistanos, na Vila Clementino, zona Sul. O grupo, que declarou apoio a Marta, contrariou a posição do sindicato da categoria, que não declarou apoio oficial a nenhum dos candidatos na disputa do segundo turno.
O governador José Serra, visivelmente irritado, respondeu à critica dizendo que o deputado comunista ''perdeu uma ótima oportunidade de não dizer uma besteira''. ''Ele, que tão poucas besteiras diz na vida, agora resolveu inaugurar uma de grande tamanho'', disse o governador.
Mas se o irritado governador resolver responder a todos que o criticam, não fará outra coisa nos próximos dias. Isso porque não foi apenas o deputado Aldo Rebelo quem condenou a estratégia do governador tucano de tentar eleitoralizar o episódio. Dezenas de outras lideranças políticas, sindicais, intelectuais, jornalistas e juristas, criticaram o discurso do governador paulista. Não surgiu, até agora, nenhuma voz independente que avalisasse a tese de Serra de ''conspiração'' eleitoral.



Paralisação nacional



O presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), João Batista Rebouças, ao lado do presidente da Federação das Polícias do Brasil, Paulo Martins, e do deputado federal Paulinho da Força (PDT), não apenas criticou Serra como adiantou que irá haver uma manifestação de greve 24 horas da Polícia Civil em todo o Brasil em repúdio ao governador e em solidariedade aos policiais paulistas. Segundo as entidades, a data da paralisação nacional será no dia 29 de outubro.
''Não somos inimigos da PM, nosso inimigo chama-se José Serra. A Polícia Civil não tem mais nada a perder'', disse Rebouças sobre o episódio.
''Quem pretende ser presidente da República não pode agir dessa maneira'', completou o presidente do Sipesp.



Serra na berlinda mesmo com ''imprensa amiga''


O jornalista Ricardo Kotscho escreveu em seu blog no portal iG que ''pela primeira vez desde que tomou posse, parece que os fatos estão fugindo ao controle do governador José Serra. A crise na segurança pública em São Paulo, que culminou ontem no confronto entre grevistas da Polícia Civil e tropas da Polícia Militar às portas do Palácio dos Bandeirantes, deixando mais de 20 feridos, invadiu o noticiário nacional e atravessou as fronteiras do Estado, apesar de toda a boa vontade da imprensa amiga.''
Segundo ele, ''Serra está no centro do fogo cruzado da crise na área de segurança pública, que se arrasta praticamente desde o início do seu governo, sem que se tenha avançado um milímentro no rumo de uma solução''.



Incapacidade administrativa



A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy, também se pronunciou sobre o assunto, já que Serra, nas entrelinhas, insinuou que o conflito foi promovido para prejudicar o adversário de Marta, Gilberto Kassab (DEM).
A petista repudiou as acusações do governador de que o conflito teria ''motivações políticas''. ''É uma incapacidade, uma intransigência por parte de quem governa'', atacou Marta. ''Querer culpar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava essa postura do governador.''
''Agora nós estamos na véspera de uma eleição. Eu fico pasma de o governador fazer insinuações deste porte. É muito sério o que ele fez'', disse. ''Pessoas ligadas à CUT e à Força Sindical estarem presentes no momento da sua negociação salarial me parece, o mínimo, que uma pessoa que entende de democracia, de negociação, possa saber que deveria estar acontecendo.''

Durante evento eleitoral em Mauá, no ABC paulista, o senador Eduardo Suplicy também criticou a atitude do governador José Serra. O senador acusou o governador de ter incentivado a guerra entre as forças policiais. ''Cheguei de Brasília e fui direito ao Palácio dos Bandeirantes para saber o que estava acontecendo. Levei um susto. Temos que dialogar para que as forças policiais não iniciem uma guerra. O Serra tem o dever de resolver este impasse. A Polícia Militar e Polícia Civil precisam trabalhar em harmonia'', opinou Suplicy.




Força: Serra é intransigente



O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, divulgou nota assinada também pelo secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. O documento ''repudia com veemência o tratamento dispensado pelo governador José Serra aos policiais civis''.
No comunicado, a Força Sindical destaca: ''É intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta. Demandamos que o Governo do Estado retome o caminho da negociação e atenda as justas reivindicações dos policiais civis, pois valorizar a função e a carreira do policial é parte fundamental de uma política de segurança pública democrática e eficiente.''
Em declaração à imprensa, Juruna foi ainda mais duro: ''O governador está transformando um confronto trabalhista em um confronto político-partidário'', disse o sindicalista. Para Juruna, Serra ''é intransigente, precisa assumir sua responsabilidade e não desviar do assunto...o Serra quer é ajudar o Kassab'', disse.
Juruna afirma que tentou negociar com o secretário da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes Ferreira, uma saída pacífica para os pedidos dos policiais. O dirigente sindical diz que o governo do Estado se recusou. Segundo Juruna, o máximo consentido pelos representantes do governo foi estabelecer limites para a manifestação dos policiais. ''Serra está tentando justificar sua intransigência, jogando o confronto para o campo político e eleitoral, o que é um erro'', concluiu Juruna.


CUT: comportamento irresponsável do governador


A CUT, outra central citada por Serra, também protestou. De acordo com o secretário geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, ''o comportamento irresponsável do governador José Serra e do secretário estadual de Segurança Pública por pouco não provocaram mortes''. ''Por um lado, provocaram a categoria dos Policiais Civis em greve ao abandonar a segurança pública, não dar as mínimas condições de trabalho, manter equipamentos defasados, salários arrochados e, pior, não atender solicitações, se negar a negociar e ainda criticar o comportamento de quem tem preocupação com a segurança dos cidadãos'', denunciou Adi.
''Serra não quer diálogo, somente imposição. Eu vi uma guerra civil, o conflito quase gerou mortes na porta do Palácio'', ressaltou Adi. epresentantes de seis centrais sindicais acompanharam o protesto e repudiaram a covardia de Serra. Agora, lembrou Adi, ''a mobilização vai crescer ainda mais, porque ninguém vai baixar a cabeça para este tipo de comportamento''.


Lula: situação deplorável



Devido à repercussão internacional do episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também opinou sobre o confronto policial. ''É uma coisa deplorável que aconteça esse conflito. Porque são dois órgãos importantes do Estado e que, portanto, não deveriam estar em conflito'', disse Lula em entrevista concedida antes da cerimônia de inauguração de instalações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Maputo, em Moçambique.
O presidente disse que sabia que o problema começou com a reivindicação salarial da polícia civil, que está em greve. ''Eu não sei qual é o problema. Eu sei que tem um problema de reivindicação. Houve um conflito.''

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Programas sociais do governo Lula

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente um estudo revelando que quase 39 milhões de brasileiros foram beneficiados em 2004 pelos programas sociais de transferência de renda do governo. A minuciosa pesquisa confirma que estas ações, que atingiram 21,4% da população do país, estão de fato chegando as pessoas mais necessitadas. Segundo Eduardo Nunes, presidente do IBGE, “elas já beneficiaram 91% dos domicílios com rendimento inferior a um salário mínimo”. Em 2004, estes programas bateram o recorde histórico ao contemplar 50,3% das “famílias miseráveis”. Na fase seguinte, ainda não pesquisada pelo instituto, seu alcance cresceu ainda mais para o desespero da direita neoliberal!

A evolução das ações sociais do governo Lula é significativa e consistente. Somente com o Bolsa Família, o governo beneficiou 3,6 milhões de domicílios em 2003, 6,5 milhões em 2004 e 8,7 milhões em 2005. A meta é atingir 11,2 milhões de famílias em 2006. Os recursos públicos investidos neste programa saltaram de R$ 3,4 bilhões em 2003 para R$ 6,5 bilhões em 2005 – na mais volumosa transferência de recursos da América Latina. Vinculado à obrigatoriedade do estudo, o Bolsa Família já aponta indicadores positivos de melhoria na escolaridade, geração de renda e diminuição da criminalidade. Isto é que levou a Fundação Getúlio Vargas a afirmar que a redução das desigualdades sociais no governo Lula foi “espetacular”.

Para os que acusam tais medidas de assistencialista, o economista Marcio Pochmann tem uma resposta na ponta da língua. “Quando entrei na universidade, tive acesso à bolsa de iniciação científica, depois à bolsa de mestrado e de doutorado e nunca me disseram que eram compensatórias. No Brasil, quem tem acesso ao ensino superior é a classe média e não existe essa visão de que as bolsas vinculadas ao ensino superior sejam compensatórias. Agora, para o filho do pobre estudar no ensino básico e médio, é compensatória e no sentido pejorativo. Isto é uma coisa preconceituosa”. Para ele, “as iniciativas do governo federal estão vinculadas às condições para superação da pobreza. A direita brasileira usa o termo compensatório como pejorativo, querendo associá-las a políticas assistencialistas e clientelistas do passado. Mas não é o caso”.

A redução das desigualdades sociais também está vinculada à tímida retomada do crescimento do país e, principalmente, a adoção de algumas medidas econômicas heterodoxas, que causam urticária nos liberais de plantão – inclusive nos infiltrados neste governo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que na gestão de FHC bancou a privataria do estado, já destinou R$ 11,4 bilhões para a indústria nacional, o que explica a geração de 3,5 milhões de empregos. Já os programas de microcrédito permitiram o acesso de 6 milhões de pessoas aos bancos públicos, facilitando a abertura de milhares de pequenos negócios. Por sua vez, o crédito à agricultura familiar pulou de R$ 2,4 bilhões em 2002 para R$ 9 bilhões na safra 2005/2006, viabilizando a inclusão de 1 milhão de famílias nas políticas de crédito.


Secando gelo
O alcance destes programas sociais, entretanto, não minimiza as críticas à orientação macroeconômica do governo, que entrava o crescimento do país com os seus juros estratosféricos e as elevadas contenções do superávit primário. Como afirma Marcio Pochmann, que teve rica experiência na condução de programas de inclusão social na gestão da prefeita Marta Suplicy, sem um crescimento mais acentuado da economia, tais iniciativas resultam apenas em “secar o gelo”. O que elas geram de inclusão social, o desemprego e a baixa renda multiplicam em exclusão. Prova inconteste disto é que o mesmo IBGE acaba de divulgar que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país subiu para 10,1% em fevereiro.

É flagrante a contradição entre as políticas públicas de redução da miséria e a orientação macroeconômica de forte viés neoliberal, que serve unicamente à ditadura do capital financeiro. Este contra-senso será, sem dúvida, um dos pontos fracos do governo na acirrada disputa sucessória de outubro. Está mais do que na hora do presidente Lula apresentar um novo projeto de desenvolvimento, uma Nova Carta aos Brasileiros, com a definição precisa de metas de crescimento econômico e de superação das desigualdades sociais. A primeira carta, de junho de 2002, foi para acalmar o “deus-mercado”; agora é necessário sinalizar que um segundo mandato democrático e popular terá como objetivo maior avançar nas mudanças.


por Altamiro Borges

Fonte: www.vermelho.org.br

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Fonte: Vermelho



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Para Fidel, países ricos não têm como impor soluções à crise


O insólito

No domingo 12 de outubro, os países da Eurozona estabeleceram um plano anti-crise por iniciativa de Sarkozy, presidente da França.
Na segunda-feira 13, anunciaram as cifras multimilionárias de dinheiro que os países da Europa lançarão ao mercado financeiro para evitar um colapso. As ações subiram com as surpreendentes notícias.
Em virtude dos acordos mencionados, a Alemanha havia comprometido, na pesquisa de resgate, 480 bilhões de euros; a França, 360 bilhões; a Holanda, 200 bilhões; a Áustria e a Espanha, 100 bilhões cada um, e assim sucessivamente até atingir, junto com a contribuição do Reino Unido, a quantia de 1,7 trilhão de euros, que nesse dia, já que a relação do câmbio entre uma e outra moeda varia constantemente, equivaliam a 2,2 trilhões de dólares, que se somavam aos 700 bilhões de dólares dos Estados Unidos.
As ações das grandes corporações que não se arruinaram tiveram um aumento abrupto de seu valor que, ainda que longe de compensar as perdas sofridas nos nove dias trágicos, permitir-lhes-á aos políticos e banqueiros do capitalismo desenvolvido desfrutar de uma dose de oxigênio.
Nesse mesmo dia pela noite, o Premiê da Itália, Silvio Berlusconi, num banquete realizado em sua honra que ocorreu na Casa Branca, faz um discurso prestando uma homenagem ao Bush: “Confiamos no Presidente que teve a coragem de pôr em prática o que considerava justo, o que devia fazer para si, para seu povo e para o mundo”.

Realmente passou dos limites!


Também nesse dia 13, o Prêmio Nobel de Economia correspondente a 2008 é outorgado ao cidadão dos Estados Unidos Paul Krugman. Trata-se sem dúvida de um defensor do sistema capitalista, mas é ao mesmo tempo muito crítico do presidente Bush.


Sob o título Gordon agiu bem, publicado no dia 14 no El País, expõe diversas idéias, algumas das quais merecem ser destacadas textualmente:

“O correto é enfrentar o problema da falta de capital financeiro fazendo com que o Estado proporcione às instituições financeiras mais capital em troca
de uma parte de sua propriedade…

“Esta espécie de nacionalização parcial temporária também era a solução preferida particularmente por Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal.

“Ao anunciar seu plano de ajuda financeira de 500 bilhões de euros, Henry Paulson, secretário do Tesouro estadunidense, rejeitou este evidente caminho, alegando que ‘isso é o que se faz em caso de quebra’.

“O governo britânico foi diretamente à raiz do problema e atuou com assombrosa velocidade para solucioná-lo.”

“Paulson, depois de haver supostamente desperdiçado várias semanas muito valiosas, também deu para trás e agora pretende comprar ações bancárias ao invés de ativos hipotecários tóxicos.

“Como já disse, ainda não sabemos se essas medidas funcionarão… Essa visão clara teve que proceder de Londres e não de Washington.

“É difícil evitar a sensação de que a resposta inicial de Paulson estava distorcida pela ideologia. Recordem que trabalha para um governo cuja filosofia pode ser resumida em ‘o privado é bom; o público, ruim’.”

“Em todo o executivo, os profissionais experientes foram destituídos; quiçá não fique no Tesouro ninguém com a estatura e a trajetória necessárias para dizer a Paulson que o que estava fazendo não fazia sentido.

“Por sorte para a economia mundial, o que Gordon Brown e seus ministros estão fazendo sim faz sentido. E quiçá nos tenham mostrado o caminho para superar esta crise.”

Nem sequer o Prêmio Nobel de Economia 2008 está certo, como confessa, de que essas medidas funcionarão. São coisas insólitas.
Na terça-feira 14, as ações nas Bolsas caíram alguns pontos de preço. Os sorrisos foram já mais estereotipados.
Os países capitalistas europeus, saturados de capacidade produtiva e mercadorias, desesperadamente necessitados de mercados para evitar desempregos de operários e dos especializados em serviços, depositantes que perdem seu dinheiro e camponeses arruinados, não estão, portanto, em situação de impor condições e soluções ao resto do mundo. Assim o proclamam os líderes de importantes países emergentes e dos que, pobres e saqueados economicamente, são vítimas do intercâmbio desigual.
Hoje quarta-feira 15 o valor das ações nas Bolsas caiu de novo estrondosamente.
McCain e Obama discutirão ardorosamente esta noite sobre o tema econômico.
Na grande democracia dos Estados Unidos, a metade dos que têm direito a votar não estão registrados; dos registrados, a metade não vota, e só 25 por cento dos eleitores elegem aos que governam. Muitos dos que agora, talvez, desejassem votar pelo candidato negro não podem fazê-lo.
Segundo as pesquisas, esse candidato conta com maioria esmagadora. No entanto, ninguém se atreve a dizer qual será o resultado.
O 4 de novembro é um dia de grande interesse para a opinião mundial, dada a crise econômica em que se debate a sociedade dos Estados Unidos.
Em matéria eleitoral, de apenas uma coisa podemos estar certos: nas próximas eleições do Reino Unido, Gordon Brown não será eleito Premiê.



Fidel Castro Ruz
15 de Outubro de 2008
Fonte: Granma Internacional

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Acertos e erros das esquerdas na eleiçao

A seguir o segundo artigo de Altamiro Borges sobre as eleições.


Acertos e erros das esquerdas na eleição

As forças de esquerda que apóiam o governo Lula, seja de forma incondicional ou com posturas mais críticas, saíram-se bem no primeiro turno das eleições. O PT, com as suas várias tendências internas, foi o partido que mais cresceu. Dos atuais 391 prefeitos, pulou para 548, venceu em seis capitais e disputará em outras três. O PCdoB elegeu 39 prefeitos (em 2004 fez só 10), reelegeu o prefeito de Aracaju e concorrerá em São Luiz. O PSB pulou de 214 para 309 prefeitos, reelegeu dois em capitais e disputará outras três. E o PDT, mais acuado, subiu de 311 para 344 prefeitos.

Com base na crescente popularidade do presidente Lula e também nas experiências positivas de algumas administrações, além de outros fatores, o PT retomou sua trajetória eleitoral ascendente, recuperando-se da grave crise vivida em 2005-2006. Já o PCdoB, com a sua tática eleitoral mais ousada, apareceu com fisionomia própria em cidades-chaves, projetou lideranças e se cacifou na disputa pela hegemonia. E o “bloco de esquerda”, unindo por PSB, PDT e PCdoB, ganhou maior musculatura e pode exercer um papel mais incisivo na sua relação com o PT e o governo Lula.

Esforço para derrotar a direita

Na justa batalha por se firmar no cenário político, os partidos de esquerda nem sempre estiveram unidos nas disputas municipais. No geral, porém, predominou o bom senso nas alianças visando evitar vitórias da oposição liberal-conservadora. Este esforço garantiu, por exemplo, o apoio do PT aos comunistas em Aracaju e São Luiz. Já o PCdoB retirou as suas candidaturas próprias para impulsionar candidatos petistas mais bem situados em várias capitais. Sem esta conduta madura e unitária seria bem mais difícil a situação de Walter Pinheiro (BA) e Marta Suplicy (SP), só para citar dois casos emblemáticos. A união em Salvador ajudou a “dar uma surra” em ACM Neto.

No caso de Porto Alegre, era indispensável a prova das urnas. As duas candidatas estavam bem posicionadas nas pesquisas, mas a eleição confirmou a força do PT gaúcho. Mesmo assim, vale registrar as baixarias cometidas pela campanha petista, arranhando a unidade das esquerdas. Já em Florianópolis ficou patente a postura hegemonista do PT, que optou por um candidato com pouca densidade eleitoral e, com isso, foi culpado pela esquerda não ir ao segundo turno. O caso mais grave de divisão das esquerdas, porém, ocorreu no Rio Janeiro, a estratégica capital carioca. Nela se cometeu um verdadeiro crime político, com graves conseqüências no futuro.

A tragédia do Rio de Janeiro

Não faltaram alertas de que a fragmentação das esquerdas cariocas poderia resultar na vitória da direita. O próprio presidente Lula sugeriu ao PT o apoio à comunista Jandira Feghali, mais bem posicionada para a disputa. Outras lideranças petistas, como o ex-ministro José Dirceu, também tentaram viabilizar esta aliança. O PCdoB retirou a sua candidatura em São Paulo como prova do empenho nesta costura. Mas todo o esforço foi em vão. Vingou a visão partidista e hegemonista mais tacanha. O PT, além do PSOL e do PDT, bancaram candidatos sem condições de disputa. Resultado: um peemedebista com passado de direita e um tucano-verde estão no segundo turno.

O renomado intelectual Emir Sader lamentou o desfecho. “Mais uma vez os cariocas de esquerda ficam sem candidato no segundo turno e a cidade é entregue à direita. Responsabilidade grave da esquerda realmente existente, que não soube estar à altura do Rio de Janeiro, parecendo que tem mais amor as suas candidaturas e seus partidos do que à cidade, que pede aos gritos um governo de esquerda... Quem não se deu conta que a candidata Jandira Feghali era a melhor colocada para chegar ao segundo turno demonstrou grave desvinculação da realidade”. Ele não vacila em tecer duras críticas ao PT, mas também ao PSOL, PDT e PCB, culpando-os pela vitória da direita.

No mesmo rumo, o blog “Amigos do presidente Lula” também postou o seu desabafo. “Por falta de visão, o PT deixou de se aliar com Jandira Feghali (PCdoB) no primeiro turno. Jandira já foi candidata à prefeita em 2004 e teve mais votos do que Jorge Bittar, do PT. Ela foi candidata ao Senado em 2006. Perdeu no interior, mas foi a mais votada na capital. Já tinha uma candidatura com forte base eleitoral construída. Se Alessandro Molon (PT) fechasse a coligação com Jandira, ela teria mais tempo na TV e cresceria na disputa”. Mas o PT preferiu lançar candidato próprio e agora terá que optar entre Eduardo Paes, o “menos pior”, e o tucano-verde Fernando Gabeira.

O fiasco da “frente de esquerda”

Ainda no campo das esquerdas brasileiras, vale analisar o desempenho do PSOL, PSTU e PCB, que promovem uma oposição frontal ao presidente Lula, desconsiderando a atual correlação de forças no Brasil e na América Latina e a natureza hibrida deste governo. Na eleição presidencial de 2006, os três partidos montaram a chamada “frente de esquerda”, que ficou em terceiro lugar com a candidatura da ex-senadora Heloísa Helena e conquistou mais 6,5 milhões de votos. Já nas eleições municipais deste ano, a aliança implodiu devido a inúmeras divergências de projeto. Ela só vingou em onze capitais; no restante, o tiroteio entre os três partidos foi intenso e fratricida.

Para sair do isolamento, o PSOL optou por uma tática mais ampla de alianças. Até o Movimento Esquerda Socialista (MES), da deputada Luciana Genro, aliou-se com PV, que em vários estados integra a oposição liberal-conservadora – em São Paulo, por exemplo, apóia o demo Kassab. Já o PSTU, totalmente avesso às alianças, espinafrou o seu antigo parceiro. Num documento público, criticou a direção do PSOL, que “realiza coligações com os partidos burgueses, que inclusive integram a base de sustentação do governo Lula”. O PCB, por sua vez, manteve a sua trajetória errática e preferiu demarcar posições, lançando candidatos próprios e sem densidade eleitoral.

A ausência de tática política

O resultado final deverá gerar acirrados debates no interior dos três partidos. O PSOL, que teve enorme visibilidade na sucessão presidencial, não elegeu prefeitos e fez apenas oito vereadores em capitais. Heloísa Helena, símbolo da “frente de esquerda”, teve 29 mil votos e será vereadora em Maceió. Já o PSTU não elegeu sequer vereadores. Até agora, o seu site não divulgou balanço crítico da sua campanha. E o PCB retrocedeu, perdendo alguns mandatos. Prevendo o desastre, a sua executiva nacional emitiu um comunicado enigmático: “Independentemente dos resultados matemáticos e eleitorais dos nossos candidatos, a nossa campanha foi vitoriosa politicamente”.

Outro importante setor de esquerda, não partidário e inserido nos movimentos sociais, optou pelo abstencionismo. O MST, por exemplo, desautorizou seus militantes a se candidatarem. Ricardo Gebrim, da Consulta Popular, critica os partidos de esquerda que investem no processo eleitoral. Para ele, as eleições despolitizam a sociedade e só “discutem no âmbito administrativo, do tipo construir pontes... Não houve, nesta campanha, a discussão sobre projetos de governo”. O risco desta análise, feita por lutadores combativos, é que ela desarma a militância, não dá alternativas táticas e reforça o ceticismo. Desta forma, joga os movimentos sociais no isolamento político.


Fonte: Blog do Miro

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Briga de polícia: violência de Serra leva caos às ruas de SP



João Batista Rebouças, presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia de São Paulo, afirmou que "jogaram polícia contra polícia". Segundo ele, policiais militares "atiraram bombas de gás lacrimogêneo, pimenta. Não estamos armados e [estamos] sendo tratados com insensatez", argumentou.

O confronto

Por volta das 16 horas desta quinta, os policiais grevistas chegaram na Rua Padre Lebret, no Morumbi. Um grupo que seguia em passeata forçou a passagem por uma primeira barreira formada pelos policiais militares e, a partir daí, iniciou-se o confronto.

Foram lançadas inúmeras bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e pimenta, além de balas de borracha sobre a multidão. Com a chuva dos artefatos o grupo de manifestantes recuou. Carros das equipes de forças especiais da Polícia Militar (PM) foram estacionados em um cruzamento para formar outra barreira, mais compacta, contra o avanço da passeata.

Após o retorno dos manifestantes, carros de equipes da Polícia Civil se aproximaram para a região onde foi feito o bloqueio. Após cerca de 10 minutos de tensão, com mais arremessos de bombas de efeito moral, o grupo de manifestantes se aproximou da barreira e tentava novamente avançar. Por volta das 16h18, novamente foram arremessadas novas bombas de efeito moral para dispersar o grupo.

Os manifestantes pretendiam seguir em direção à sede do governo de São Paulo. No caminho, grupamentos de policiais militares continuam em prontidão. Há barreiras formadas por PMs da Força Tática, da Tropa de Choque e da Cavalaria.

Feridos em vários hospitais

A assessoria do Albert Einstein enviou nota confirmando que, até as 18 horas, foram recebidas em seu pronto atendimento 12 pessoas vítimas da confusão. O quadro de saúde dos pacientes é estável e uma das vítimas já havia sido liberada no horário. O Hospital Itacolomy recebeu cinco pessoas e o Hospital Universitário, um ferido.

O Hospital São Luiz disse que atendeu cinco policiais civis na unidade do Morumbi. Quatro deles foram atendidos, medicados e receberam alta: um homem de 34 anos com escoriações na face; outro de 49 anos com ferimentos superficiais na coxa e no braço esquerdos; um policial de 44 anos com queimaduras de 1º e 2º graus na mão direita e na face e um homem de 43 anos com queimaduras de 3º grau na região abdominal.

Um policial de 30 anos teve fratura exposta em um dedo da mão direita, além de sofrer escoriações na mão esquerda. Ele fez exames e foi transferido para outro hospital.

O Palácio dos Bandeirantes informou que um dos feridos é um coronel que participava da negociação entre os manifestantes. Ele teria sido atingido por um disparo na perna e foi levado, ainda segundo o Palácio, para o Albert Einstein.

Outro ferido identificado foi o cinegrafista da Record, Flávio Roderley. Ele foi atingido por três balas de borracha. De acordo com a assessoria de imprensa da emissora, ele também foi atendido pelo Albert Einstein e passa bem.

Em nota, o governo do estado diz que "o confronto começou no momento em que o comando grevista aceitou proposta do governo de enviar um representante ao local onde estava concentrada a manifestação para receber um documento com a posição dos manifestantes".

Palácio intocável

Não é a primeira vez que uma manifestação é impedida de chegar ao Palácio. Desde que Serra tomou posse, sucessivas manifestações foram violentamente impedidas de chegar à sede do governo. A última, ocorrida durante a ocupação da reitoria da USP por estudantes, também foi impedida pela Tropa de Choque de chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

Por meio de nota, o governo do estado informou nesta quinta que as vias públicas situadas ao redor do Palácio dos Bandeirantes são consideradas área de segurança. "Por esse motivo, todas as manifestações populares programadas para esses locais são obrigatoriamente desviadas para áreas próximas, que não se encontram na zona delimitada pela resolução, que abrange as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi e as ruas Combatentes do Gueto, Rugero Fazzano e Padre Lebret".

Caos nas ruas

O trânsito esteve bastante complicado na região do Estádio do Morumbi. Ruas em volta da Praça Roberto Gomes Pedrosa e travessas das avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi foram parcialmente bloqueadas pela Tropa de Choque.

O acesso aos hospitais Albert Einstein e São Luiz estavam prejudicados. No horário do confronto começou a chover fraco na região, o que agravou as condições do tráfego. Os motoristas parados no local, sem orientação de trânsito, reclamavam e tinham dúvidas sobre que trajeto seguir.

O presidente do Sindicato dos Investigadores, João Rebouças Neto, reagiu às reclamações pelo protesto, “a medida é necessária; é preciso entender que, como a polícia defende a população, foi necessário chegar a esse ponto para melhorar as condições de trabalho".

Ele afirma que o sindicato tenta desde o mês de fevereiro entrar em contato com o governador. Segundo Rebouças, Serra não quer recebê-los e justifica que não tem dinheiro. Os policiais civis pedem 15% de reajuste salarial em 2008 e 12% para 2009 e 2010.

A Associação dos Delegados de Polícia Civil de São Paulo (Adpesp) informou que no início da noite desta quinta os policiais deixavam as delegacias para seguir ao Palácio. O objetivo é prestar solidariedade aos colegas que participam da manifestação na zona sul.

Em entrevista, o governador disse que a informação sobre as delegacias não procede e que tudo está sob controle. Porém, a população desconfia do governo que é carcaterizado pelo incompetência na segurança.

Em 2006, após o então governador Geraldo Alckimin (PSDB) se licenciar para disputar as eleições presidenciais, o estado viveu dias de pânico e terror com os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), que parou a capital paulista por quase dois dias num toque de recolher dado pelo crime organizado no estado.

Serra foge e acusa oposição

O governador José Serra acusou a manifestação dos policiais civis de ter cunho "político-eleitoral" em entrevistas à imprensa nesta quinta. “Estão tirando proveito eleitoral”, disse o governador ao indicar a CUT e a Força Sindical, o PT e o PDT, pela responsabilidade do confronto.

Serra afirmou que deputados participaram da manifestação com interesse eleitoral. Ele justificou a ação da Polícia Militar e disse que eles estavam lá para dissuadir os manifestantes e "evitar o uso da força". "Tem manipulação política", insistiu Serra que apóia o candidato do DEM, e atual prefeito Gilberto Kassab para a prefeitura da capital.

O coordenador da campanha de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), refutou as acusações de Serra sobre "motivações eleitorais" por trás do confronto. Ele enfatizou que a campanha salarial dos policiais civis já dura mais de um mês e a eclosão do confronto, a dez dias do segundo turno, não tem relação com a eleição. "É um movimento sindical", disse Zarattini.

O presidente do PT em São Paulo, José Américo Dias, disse que o governador tenta de forma "oportunista" jogar nas "costas do PT um problema que ele causou". "Ele ganhou o governo com perspectiva de melhorar os salários, mas ao contrário disso o que ele fez foi trair suas promessas de candidato. Agora, diante da greve que já dura mais de 30 dias, ele tenta tirar o corpo fora e politizar a questão", afirmou.
Dias disse que os deputados que estavam presentes na manifestação são do PDT, PV e PT e participaram do ato porque apóiam o movimento. "Ele (Serra) precisa aprender a lidar com a democracia e parar criminalizar os movimentos sociais, mais uma vez." E emendou: a convivência com o PFL (o DEM) está fazendo muito mal a ele. Está transformando ele em uma pessoa autoritária."

Entenda a greve da Polícia Civil de SP

Os policiais civis entraram em greve por tempo indeterminado dia 16 de setembro. O movimento atinge delegados, investigadores, escrivães e peritos, que pedem aumento de salário e melhores condições de trabalho.
Os policiais civis pedem 15% de reajuste salarial em 2008 e 12% para 2009 e 2010. O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes.
Segundo a orientação da cartilha da greve, devem ser registrados apenas casos de flagrantes, captura de procurados e homicídios. As diligências referentes a investigações devem ser feitas apenas se forem inadiáveis. A cartilha, entretanto, ressalta o uso do bom senso na triagem dos casos.
A Polícia Civil já havia entrado em greve em 13 de agosto, reivindicando aumento salarial de cerca de 60%. O movimento foi suspenso na mesma tarde após uma reunião conciliatória entre representantes de sindicatos e associações da categoria e do governo estadual no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª região.


Fonte: Vermelho

É mesmo muita cara de pau do governador de São Paulo, (que, diga-se de passagem, quer ser presidente do Brasil) depois de inúmeras vezes jogar a polícia contra os movimentos sociais, vir agora acusar Partidos Políticos e Centrais Sindicais como se os mesmos fossem responsáveis pelo conflito. Se o governador tivesse mais responsabilidade e real interesse receberia a Polícia Civil e negociaria um acordo. Mas parece que o mesmo esqueceu completamente seu passado como dirigente da UNE e o quanto manifestações por direitos fazem parte da vida democrática de um país.
Devemos observar as atitudes de Serra, pois elas já são comuns por parte de lideranças do PSDB, aqui no RS a nossa simpática governadora Yeda também já colocou a BM contra manifestações populares. Há alguns anos, antes da vitória de Lula em 2002 era a mesma coisa no Planalto, FHC era o primeiro a tratar os Movimentos Sociais como criminosos. Devemos estar atentos a esses que se dizem defensores da Democracia, nas eleições de 2010 certamente encontraremos vários deles tentando esconder sua truculência para ganhar votos daqueles que tratam como bandidos.

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© 2008 Por Giovane D. Zuanazzi , Douglas T. Finger