Lutas populares e democráticas no Brasil

A Luta contra a Escravidão (segunda parte)





Hoje, postamos o segundo texto sobre a luta contra a escravidão no solo brasileiro, não poderia faltar um excerto do poema “Navio Negreiro” do grande poeta brasileiro e patrono da UJS, o poeta condoreiro Castro Alves:

“Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!”

Comecemos primeiro desmistificando a inferioridade tão apregoada aos quatro ventos de inferioridade dos representantes negros da raça humana, existiam reinos na África que só foram subjugados pela sanha imperialista européia no decorrer do século XIX, quando os negros combatiam com lanças e escudos e os europeus utilizavam largamente canhões e metralhadoras, por séculos o rei da Etiópia foi considerado o monarca mais rico do mundo, por séculos os europeus chegavam somente na costa litorânea africana, pois era instransponível de outra forma, pela bravura dos guerreiros africanos.


A cultura local, no tocante à guerras, nunca foi de marcado pelo grande número de mortos em combate, pois como os astecas, os africanos em sua maioria, preferiam prender seus inimigos tribais e os utilizarem como escravos, primeiramente em suas próprias possessões e após começaram a intensificar um mercado de vende desses prisioneiros de guerra com os europeus que necessitavam de mão de obra para lavouras, extração de minerais e outras atividades braçais em suas colônias mundo afora.
A viagem de transposição do Oceano Atlântico era uma odisséia em luta pela vida, pois em alguns estudos apontam que a mortandade no transcorrer da viagem beira os 70% dos negros que eram trazidos, as más condições das embarcações, onde proliferavam doenças, o exíguo espaço físico, os maus tratos por parte da tripulação, transformavam o cenário do navio negreiro um verdadeiro holocausto.

Ao chegarem em solo brasileiro, os sobreviventes dessa jornada de horrores, descobririam o futuro trágico que lhes aguardava, o trabalho extenuante e o chicote do feitores a lhe arrancar o couro e o sangue para que executasse os mais duros trabalhos, e para cicatrizar essas chagas, nada mais do que o sal do suor de seus corpos.
Semana que vem trataremos sobre os vários campos onde se travou a luta pela abolição da escravatura, desde o campo, intelectual, político, artístico onde se pavimentou o longo caminho para a conquista dessa tão almejada liberdade.


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Alemães procuram Marx para explicar a crise



Karl Marx está de volta. Ao menos, este é o veredito dos editores e livreiros da Alemanha, que asseguram que suas obras estão voando nas estantes. A crescente popularidade é creditada, naturalmente, à crise econômica em curso. ''Marx entrou de novo na moda'', diz Jörn Schütrumpf, da editora Karl-Dietz, que publica as obras de Marx e Engels em alemão.
Por Kate Connolly no jornal britânico The Guardian*




''Estamos assistindo a um crescimento muito visível da procura por seus livros, procura que esperamos que cresça ainda mais pronunciadamente até o fim do ano'', diz ele.

Onde está a felicidade neoliberal?

A obra mais popular é o primeiro volume da obra mais marcante, O Capital. Conforme Schütrumpf, os leitores típicos são ''aqueles da nova geração acadêmica, que chegaram à conclusão de que as promessas neoliberais de felicidade não se mostraram verdadeiras''.
As livrarias pelo país afora estão registrando marcas semelhantes: aumento de mais de 300% nas vendas (embora o fato de não especificarem números sugiram que não eram vendas tão elevadas).
Fenômenos literários vêm e vão, e é bom constatar que o mercado nem sempre é direcionado por superficiais campanhas de marketing. Assim como [o escritor inglês] Rudyard Kipling se rejubilaria ao ver que voltou à moda o seu poema The Gods of the Copybook Headings – que contém os certeiros versos ''Tombaram então os deuses do mercado / e recuaram seus bruxos de lábia sutil'' (''Then the Gods of the Marked tumbled / and their smooth-tongued wizards withdrew'') –, também Marx se sentiria aliviado com a idéia de que uma crise econômica reacendeu o interesse por seus livros (Não, ao que percebo, devido aos incrementados direitos autorais que teria recebido nos últimos meses, caso ainda vivesse).


''Marx está vencendo o páreo''

Alemães em número crescente parecem dispostos a se proclamarem fãs de Marx, numa época em que virou moda repetir a crença do filósofo, de que o capitalismo com seus excessos de cobiça terminaria por se destruir. Quando Oskar Lafontaine, líder do crescente partido de esquerda alemão Die Linke (A Esquerda), disse que incluiria a teoria marxista no manifesto da nova sigla, para sublinhar seus planos de estatização parcial das finanças e do setor energético da nação, foi taxado pelo tablóide Bild de ''maluco esquerdista'' que ''perdeu o rumo''. Mas agora o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrück, que deve ter perdido algumas noites de sono nas últimas semanas, que se declarou também um fã: ''Em geral, é preciso admitir que certas partes da teoria de Marx na verdade não são tão ruins assim'', disse ele cautelosamente à revista Der Spiegel.
''Por estes dias Marx está vencendo o páreo para encantar o público'', comentou Ralf Dorschel no Hamburger Abendblatt.
Para aqueles que não estão prontos para mergulhar na teoria marxista, a correspondência entre Marx e Friedrich Engels durante uma crise econômica americana daquele tempo pode servir como literatura mais amena: ''O crash americano dá gosto de ver e está longe de ter acabado'', escrevia ele em 1857, prevendo para breve o iminente e completo colapso de Wall Street.


Fonter: Vermelho

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Aldo Rebelo: ''Serra perdeu o rumo e foi injusto''





O candidato a vice-prefeito de São Paulo, na chapa de Marta Suplicy (PT), Aldo Rebelo (PCdoB), criticou a postura do governador José Serra de creditar a greve da polícia civil ao movimento eleitoreiro. ''O Serra perdeu o rumo. Ele foi injusto e não honrou a sua tradição democrática'', disse Aldo, referindo-se às declarações dadas pelo governador do Estado, José Serra (PSDB), ontem à noite, sobre o conflito ocorrido entre a Polícia Civil e a Polícia Militar.


Segundo o candidato, o movimento da polícia civil é porque o salário em São Paulo é incompatível com o do restante da categoria no país. Aldo ressalta que esse é o grande problema da questão e que deve ficar bem claro.
Ontem, policiais civis em greve desde 16 de setembro realizavam uma passeata quando entraram em confronto com policiais militares em São Paulo. O conflito ocorreu quando os manifestantes teriam tentado furar um bloqueio da PM em um área de segurança do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Policiais militares chegaram a utilizar bombas de gás e efetuar tiros com balas de borracha. 32 pessoas ficaram feridas.
O governador José Serra associou o protesto a entidades sindicalistas e disse que a manifestação tem cunho ''político-eleitoral''. Só não explicou como pode ter cunho eleitoral uma reivindicação que envolve questões estaduais se as eleições são municipais.
''O discurso utilizado pelo Serra foi o mesmo que era utilizado contra ele, Serra, quando era estudante e deputado e que apoiava movimentos sociais'', declarou, durante um encontro, no final da manhã, promovido entre a candidatura petista e um grupo de taxistas paulistanos, na Vila Clementino, zona Sul. O grupo, que declarou apoio a Marta, contrariou a posição do sindicato da categoria, que não declarou apoio oficial a nenhum dos candidatos na disputa do segundo turno.
O governador José Serra, visivelmente irritado, respondeu à critica dizendo que o deputado comunista ''perdeu uma ótima oportunidade de não dizer uma besteira''. ''Ele, que tão poucas besteiras diz na vida, agora resolveu inaugurar uma de grande tamanho'', disse o governador.
Mas se o irritado governador resolver responder a todos que o criticam, não fará outra coisa nos próximos dias. Isso porque não foi apenas o deputado Aldo Rebelo quem condenou a estratégia do governador tucano de tentar eleitoralizar o episódio. Dezenas de outras lideranças políticas, sindicais, intelectuais, jornalistas e juristas, criticaram o discurso do governador paulista. Não surgiu, até agora, nenhuma voz independente que avalisasse a tese de Serra de ''conspiração'' eleitoral.



Paralisação nacional



O presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), João Batista Rebouças, ao lado do presidente da Federação das Polícias do Brasil, Paulo Martins, e do deputado federal Paulinho da Força (PDT), não apenas criticou Serra como adiantou que irá haver uma manifestação de greve 24 horas da Polícia Civil em todo o Brasil em repúdio ao governador e em solidariedade aos policiais paulistas. Segundo as entidades, a data da paralisação nacional será no dia 29 de outubro.
''Não somos inimigos da PM, nosso inimigo chama-se José Serra. A Polícia Civil não tem mais nada a perder'', disse Rebouças sobre o episódio.
''Quem pretende ser presidente da República não pode agir dessa maneira'', completou o presidente do Sipesp.



Serra na berlinda mesmo com ''imprensa amiga''


O jornalista Ricardo Kotscho escreveu em seu blog no portal iG que ''pela primeira vez desde que tomou posse, parece que os fatos estão fugindo ao controle do governador José Serra. A crise na segurança pública em São Paulo, que culminou ontem no confronto entre grevistas da Polícia Civil e tropas da Polícia Militar às portas do Palácio dos Bandeirantes, deixando mais de 20 feridos, invadiu o noticiário nacional e atravessou as fronteiras do Estado, apesar de toda a boa vontade da imprensa amiga.''
Segundo ele, ''Serra está no centro do fogo cruzado da crise na área de segurança pública, que se arrasta praticamente desde o início do seu governo, sem que se tenha avançado um milímentro no rumo de uma solução''.



Incapacidade administrativa



A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy, também se pronunciou sobre o assunto, já que Serra, nas entrelinhas, insinuou que o conflito foi promovido para prejudicar o adversário de Marta, Gilberto Kassab (DEM).
A petista repudiou as acusações do governador de que o conflito teria ''motivações políticas''. ''É uma incapacidade, uma intransigência por parte de quem governa'', atacou Marta. ''Querer culpar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava essa postura do governador.''
''Agora nós estamos na véspera de uma eleição. Eu fico pasma de o governador fazer insinuações deste porte. É muito sério o que ele fez'', disse. ''Pessoas ligadas à CUT e à Força Sindical estarem presentes no momento da sua negociação salarial me parece, o mínimo, que uma pessoa que entende de democracia, de negociação, possa saber que deveria estar acontecendo.''

Durante evento eleitoral em Mauá, no ABC paulista, o senador Eduardo Suplicy também criticou a atitude do governador José Serra. O senador acusou o governador de ter incentivado a guerra entre as forças policiais. ''Cheguei de Brasília e fui direito ao Palácio dos Bandeirantes para saber o que estava acontecendo. Levei um susto. Temos que dialogar para que as forças policiais não iniciem uma guerra. O Serra tem o dever de resolver este impasse. A Polícia Militar e Polícia Civil precisam trabalhar em harmonia'', opinou Suplicy.




Força: Serra é intransigente



O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força Sindical, divulgou nota assinada também pelo secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. O documento ''repudia com veemência o tratamento dispensado pelo governador José Serra aos policiais civis''.
No comunicado, a Força Sindical destaca: ''É intolerável que um governador eleito democraticamente utilize métodos truculentos contra servidores em luta. Demandamos que o Governo do Estado retome o caminho da negociação e atenda as justas reivindicações dos policiais civis, pois valorizar a função e a carreira do policial é parte fundamental de uma política de segurança pública democrática e eficiente.''
Em declaração à imprensa, Juruna foi ainda mais duro: ''O governador está transformando um confronto trabalhista em um confronto político-partidário'', disse o sindicalista. Para Juruna, Serra ''é intransigente, precisa assumir sua responsabilidade e não desviar do assunto...o Serra quer é ajudar o Kassab'', disse.
Juruna afirma que tentou negociar com o secretário da Casa Civil do Estado, Aloysio Nunes Ferreira, uma saída pacífica para os pedidos dos policiais. O dirigente sindical diz que o governo do Estado se recusou. Segundo Juruna, o máximo consentido pelos representantes do governo foi estabelecer limites para a manifestação dos policiais. ''Serra está tentando justificar sua intransigência, jogando o confronto para o campo político e eleitoral, o que é um erro'', concluiu Juruna.


CUT: comportamento irresponsável do governador


A CUT, outra central citada por Serra, também protestou. De acordo com o secretário geral da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, ''o comportamento irresponsável do governador José Serra e do secretário estadual de Segurança Pública por pouco não provocaram mortes''. ''Por um lado, provocaram a categoria dos Policiais Civis em greve ao abandonar a segurança pública, não dar as mínimas condições de trabalho, manter equipamentos defasados, salários arrochados e, pior, não atender solicitações, se negar a negociar e ainda criticar o comportamento de quem tem preocupação com a segurança dos cidadãos'', denunciou Adi.
''Serra não quer diálogo, somente imposição. Eu vi uma guerra civil, o conflito quase gerou mortes na porta do Palácio'', ressaltou Adi. epresentantes de seis centrais sindicais acompanharam o protesto e repudiaram a covardia de Serra. Agora, lembrou Adi, ''a mobilização vai crescer ainda mais, porque ninguém vai baixar a cabeça para este tipo de comportamento''.


Lula: situação deplorável



Devido à repercussão internacional do episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também opinou sobre o confronto policial. ''É uma coisa deplorável que aconteça esse conflito. Porque são dois órgãos importantes do Estado e que, portanto, não deveriam estar em conflito'', disse Lula em entrevista concedida antes da cerimônia de inauguração de instalações da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Maputo, em Moçambique.
O presidente disse que sabia que o problema começou com a reivindicação salarial da polícia civil, que está em greve. ''Eu não sei qual é o problema. Eu sei que tem um problema de reivindicação. Houve um conflito.''

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Programas sociais do governo Lula

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente um estudo revelando que quase 39 milhões de brasileiros foram beneficiados em 2004 pelos programas sociais de transferência de renda do governo. A minuciosa pesquisa confirma que estas ações, que atingiram 21,4% da população do país, estão de fato chegando as pessoas mais necessitadas. Segundo Eduardo Nunes, presidente do IBGE, “elas já beneficiaram 91% dos domicílios com rendimento inferior a um salário mínimo”. Em 2004, estes programas bateram o recorde histórico ao contemplar 50,3% das “famílias miseráveis”. Na fase seguinte, ainda não pesquisada pelo instituto, seu alcance cresceu ainda mais para o desespero da direita neoliberal!

A evolução das ações sociais do governo Lula é significativa e consistente. Somente com o Bolsa Família, o governo beneficiou 3,6 milhões de domicílios em 2003, 6,5 milhões em 2004 e 8,7 milhões em 2005. A meta é atingir 11,2 milhões de famílias em 2006. Os recursos públicos investidos neste programa saltaram de R$ 3,4 bilhões em 2003 para R$ 6,5 bilhões em 2005 – na mais volumosa transferência de recursos da América Latina. Vinculado à obrigatoriedade do estudo, o Bolsa Família já aponta indicadores positivos de melhoria na escolaridade, geração de renda e diminuição da criminalidade. Isto é que levou a Fundação Getúlio Vargas a afirmar que a redução das desigualdades sociais no governo Lula foi “espetacular”.

Para os que acusam tais medidas de assistencialista, o economista Marcio Pochmann tem uma resposta na ponta da língua. “Quando entrei na universidade, tive acesso à bolsa de iniciação científica, depois à bolsa de mestrado e de doutorado e nunca me disseram que eram compensatórias. No Brasil, quem tem acesso ao ensino superior é a classe média e não existe essa visão de que as bolsas vinculadas ao ensino superior sejam compensatórias. Agora, para o filho do pobre estudar no ensino básico e médio, é compensatória e no sentido pejorativo. Isto é uma coisa preconceituosa”. Para ele, “as iniciativas do governo federal estão vinculadas às condições para superação da pobreza. A direita brasileira usa o termo compensatório como pejorativo, querendo associá-las a políticas assistencialistas e clientelistas do passado. Mas não é o caso”.

A redução das desigualdades sociais também está vinculada à tímida retomada do crescimento do país e, principalmente, a adoção de algumas medidas econômicas heterodoxas, que causam urticária nos liberais de plantão – inclusive nos infiltrados neste governo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que na gestão de FHC bancou a privataria do estado, já destinou R$ 11,4 bilhões para a indústria nacional, o que explica a geração de 3,5 milhões de empregos. Já os programas de microcrédito permitiram o acesso de 6 milhões de pessoas aos bancos públicos, facilitando a abertura de milhares de pequenos negócios. Por sua vez, o crédito à agricultura familiar pulou de R$ 2,4 bilhões em 2002 para R$ 9 bilhões na safra 2005/2006, viabilizando a inclusão de 1 milhão de famílias nas políticas de crédito.


Secando gelo
O alcance destes programas sociais, entretanto, não minimiza as críticas à orientação macroeconômica do governo, que entrava o crescimento do país com os seus juros estratosféricos e as elevadas contenções do superávit primário. Como afirma Marcio Pochmann, que teve rica experiência na condução de programas de inclusão social na gestão da prefeita Marta Suplicy, sem um crescimento mais acentuado da economia, tais iniciativas resultam apenas em “secar o gelo”. O que elas geram de inclusão social, o desemprego e a baixa renda multiplicam em exclusão. Prova inconteste disto é que o mesmo IBGE acaba de divulgar que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país subiu para 10,1% em fevereiro.

É flagrante a contradição entre as políticas públicas de redução da miséria e a orientação macroeconômica de forte viés neoliberal, que serve unicamente à ditadura do capital financeiro. Este contra-senso será, sem dúvida, um dos pontos fracos do governo na acirrada disputa sucessória de outubro. Está mais do que na hora do presidente Lula apresentar um novo projeto de desenvolvimento, uma Nova Carta aos Brasileiros, com a definição precisa de metas de crescimento econômico e de superação das desigualdades sociais. A primeira carta, de junho de 2002, foi para acalmar o “deus-mercado”; agora é necessário sinalizar que um segundo mandato democrático e popular terá como objetivo maior avançar nas mudanças.


por Altamiro Borges

Fonte: www.vermelho.org.br

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Charge




Fonte: Vermelho



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Para Fidel, países ricos não têm como impor soluções à crise


O insólito

No domingo 12 de outubro, os países da Eurozona estabeleceram um plano anti-crise por iniciativa de Sarkozy, presidente da França.
Na segunda-feira 13, anunciaram as cifras multimilionárias de dinheiro que os países da Europa lançarão ao mercado financeiro para evitar um colapso. As ações subiram com as surpreendentes notícias.
Em virtude dos acordos mencionados, a Alemanha havia comprometido, na pesquisa de resgate, 480 bilhões de euros; a França, 360 bilhões; a Holanda, 200 bilhões; a Áustria e a Espanha, 100 bilhões cada um, e assim sucessivamente até atingir, junto com a contribuição do Reino Unido, a quantia de 1,7 trilhão de euros, que nesse dia, já que a relação do câmbio entre uma e outra moeda varia constantemente, equivaliam a 2,2 trilhões de dólares, que se somavam aos 700 bilhões de dólares dos Estados Unidos.
As ações das grandes corporações que não se arruinaram tiveram um aumento abrupto de seu valor que, ainda que longe de compensar as perdas sofridas nos nove dias trágicos, permitir-lhes-á aos políticos e banqueiros do capitalismo desenvolvido desfrutar de uma dose de oxigênio.
Nesse mesmo dia pela noite, o Premiê da Itália, Silvio Berlusconi, num banquete realizado em sua honra que ocorreu na Casa Branca, faz um discurso prestando uma homenagem ao Bush: “Confiamos no Presidente que teve a coragem de pôr em prática o que considerava justo, o que devia fazer para si, para seu povo e para o mundo”.

Realmente passou dos limites!


Também nesse dia 13, o Prêmio Nobel de Economia correspondente a 2008 é outorgado ao cidadão dos Estados Unidos Paul Krugman. Trata-se sem dúvida de um defensor do sistema capitalista, mas é ao mesmo tempo muito crítico do presidente Bush.


Sob o título Gordon agiu bem, publicado no dia 14 no El País, expõe diversas idéias, algumas das quais merecem ser destacadas textualmente:

“O correto é enfrentar o problema da falta de capital financeiro fazendo com que o Estado proporcione às instituições financeiras mais capital em troca
de uma parte de sua propriedade…

“Esta espécie de nacionalização parcial temporária também era a solução preferida particularmente por Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal.

“Ao anunciar seu plano de ajuda financeira de 500 bilhões de euros, Henry Paulson, secretário do Tesouro estadunidense, rejeitou este evidente caminho, alegando que ‘isso é o que se faz em caso de quebra’.

“O governo britânico foi diretamente à raiz do problema e atuou com assombrosa velocidade para solucioná-lo.”

“Paulson, depois de haver supostamente desperdiçado várias semanas muito valiosas, também deu para trás e agora pretende comprar ações bancárias ao invés de ativos hipotecários tóxicos.

“Como já disse, ainda não sabemos se essas medidas funcionarão… Essa visão clara teve que proceder de Londres e não de Washington.

“É difícil evitar a sensação de que a resposta inicial de Paulson estava distorcida pela ideologia. Recordem que trabalha para um governo cuja filosofia pode ser resumida em ‘o privado é bom; o público, ruim’.”

“Em todo o executivo, os profissionais experientes foram destituídos; quiçá não fique no Tesouro ninguém com a estatura e a trajetória necessárias para dizer a Paulson que o que estava fazendo não fazia sentido.

“Por sorte para a economia mundial, o que Gordon Brown e seus ministros estão fazendo sim faz sentido. E quiçá nos tenham mostrado o caminho para superar esta crise.”

Nem sequer o Prêmio Nobel de Economia 2008 está certo, como confessa, de que essas medidas funcionarão. São coisas insólitas.
Na terça-feira 14, as ações nas Bolsas caíram alguns pontos de preço. Os sorrisos foram já mais estereotipados.
Os países capitalistas europeus, saturados de capacidade produtiva e mercadorias, desesperadamente necessitados de mercados para evitar desempregos de operários e dos especializados em serviços, depositantes que perdem seu dinheiro e camponeses arruinados, não estão, portanto, em situação de impor condições e soluções ao resto do mundo. Assim o proclamam os líderes de importantes países emergentes e dos que, pobres e saqueados economicamente, são vítimas do intercâmbio desigual.
Hoje quarta-feira 15 o valor das ações nas Bolsas caiu de novo estrondosamente.
McCain e Obama discutirão ardorosamente esta noite sobre o tema econômico.
Na grande democracia dos Estados Unidos, a metade dos que têm direito a votar não estão registrados; dos registrados, a metade não vota, e só 25 por cento dos eleitores elegem aos que governam. Muitos dos que agora, talvez, desejassem votar pelo candidato negro não podem fazê-lo.
Segundo as pesquisas, esse candidato conta com maioria esmagadora. No entanto, ninguém se atreve a dizer qual será o resultado.
O 4 de novembro é um dia de grande interesse para a opinião mundial, dada a crise econômica em que se debate a sociedade dos Estados Unidos.
Em matéria eleitoral, de apenas uma coisa podemos estar certos: nas próximas eleições do Reino Unido, Gordon Brown não será eleito Premiê.



Fidel Castro Ruz
15 de Outubro de 2008
Fonte: Granma Internacional

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Acertos e erros das esquerdas na eleiçao

A seguir o segundo artigo de Altamiro Borges sobre as eleições.


Acertos e erros das esquerdas na eleição

As forças de esquerda que apóiam o governo Lula, seja de forma incondicional ou com posturas mais críticas, saíram-se bem no primeiro turno das eleições. O PT, com as suas várias tendências internas, foi o partido que mais cresceu. Dos atuais 391 prefeitos, pulou para 548, venceu em seis capitais e disputará em outras três. O PCdoB elegeu 39 prefeitos (em 2004 fez só 10), reelegeu o prefeito de Aracaju e concorrerá em São Luiz. O PSB pulou de 214 para 309 prefeitos, reelegeu dois em capitais e disputará outras três. E o PDT, mais acuado, subiu de 311 para 344 prefeitos.

Com base na crescente popularidade do presidente Lula e também nas experiências positivas de algumas administrações, além de outros fatores, o PT retomou sua trajetória eleitoral ascendente, recuperando-se da grave crise vivida em 2005-2006. Já o PCdoB, com a sua tática eleitoral mais ousada, apareceu com fisionomia própria em cidades-chaves, projetou lideranças e se cacifou na disputa pela hegemonia. E o “bloco de esquerda”, unindo por PSB, PDT e PCdoB, ganhou maior musculatura e pode exercer um papel mais incisivo na sua relação com o PT e o governo Lula.

Esforço para derrotar a direita

Na justa batalha por se firmar no cenário político, os partidos de esquerda nem sempre estiveram unidos nas disputas municipais. No geral, porém, predominou o bom senso nas alianças visando evitar vitórias da oposição liberal-conservadora. Este esforço garantiu, por exemplo, o apoio do PT aos comunistas em Aracaju e São Luiz. Já o PCdoB retirou as suas candidaturas próprias para impulsionar candidatos petistas mais bem situados em várias capitais. Sem esta conduta madura e unitária seria bem mais difícil a situação de Walter Pinheiro (BA) e Marta Suplicy (SP), só para citar dois casos emblemáticos. A união em Salvador ajudou a “dar uma surra” em ACM Neto.

No caso de Porto Alegre, era indispensável a prova das urnas. As duas candidatas estavam bem posicionadas nas pesquisas, mas a eleição confirmou a força do PT gaúcho. Mesmo assim, vale registrar as baixarias cometidas pela campanha petista, arranhando a unidade das esquerdas. Já em Florianópolis ficou patente a postura hegemonista do PT, que optou por um candidato com pouca densidade eleitoral e, com isso, foi culpado pela esquerda não ir ao segundo turno. O caso mais grave de divisão das esquerdas, porém, ocorreu no Rio Janeiro, a estratégica capital carioca. Nela se cometeu um verdadeiro crime político, com graves conseqüências no futuro.

A tragédia do Rio de Janeiro

Não faltaram alertas de que a fragmentação das esquerdas cariocas poderia resultar na vitória da direita. O próprio presidente Lula sugeriu ao PT o apoio à comunista Jandira Feghali, mais bem posicionada para a disputa. Outras lideranças petistas, como o ex-ministro José Dirceu, também tentaram viabilizar esta aliança. O PCdoB retirou a sua candidatura em São Paulo como prova do empenho nesta costura. Mas todo o esforço foi em vão. Vingou a visão partidista e hegemonista mais tacanha. O PT, além do PSOL e do PDT, bancaram candidatos sem condições de disputa. Resultado: um peemedebista com passado de direita e um tucano-verde estão no segundo turno.

O renomado intelectual Emir Sader lamentou o desfecho. “Mais uma vez os cariocas de esquerda ficam sem candidato no segundo turno e a cidade é entregue à direita. Responsabilidade grave da esquerda realmente existente, que não soube estar à altura do Rio de Janeiro, parecendo que tem mais amor as suas candidaturas e seus partidos do que à cidade, que pede aos gritos um governo de esquerda... Quem não se deu conta que a candidata Jandira Feghali era a melhor colocada para chegar ao segundo turno demonstrou grave desvinculação da realidade”. Ele não vacila em tecer duras críticas ao PT, mas também ao PSOL, PDT e PCB, culpando-os pela vitória da direita.

No mesmo rumo, o blog “Amigos do presidente Lula” também postou o seu desabafo. “Por falta de visão, o PT deixou de se aliar com Jandira Feghali (PCdoB) no primeiro turno. Jandira já foi candidata à prefeita em 2004 e teve mais votos do que Jorge Bittar, do PT. Ela foi candidata ao Senado em 2006. Perdeu no interior, mas foi a mais votada na capital. Já tinha uma candidatura com forte base eleitoral construída. Se Alessandro Molon (PT) fechasse a coligação com Jandira, ela teria mais tempo na TV e cresceria na disputa”. Mas o PT preferiu lançar candidato próprio e agora terá que optar entre Eduardo Paes, o “menos pior”, e o tucano-verde Fernando Gabeira.

O fiasco da “frente de esquerda”

Ainda no campo das esquerdas brasileiras, vale analisar o desempenho do PSOL, PSTU e PCB, que promovem uma oposição frontal ao presidente Lula, desconsiderando a atual correlação de forças no Brasil e na América Latina e a natureza hibrida deste governo. Na eleição presidencial de 2006, os três partidos montaram a chamada “frente de esquerda”, que ficou em terceiro lugar com a candidatura da ex-senadora Heloísa Helena e conquistou mais 6,5 milhões de votos. Já nas eleições municipais deste ano, a aliança implodiu devido a inúmeras divergências de projeto. Ela só vingou em onze capitais; no restante, o tiroteio entre os três partidos foi intenso e fratricida.

Para sair do isolamento, o PSOL optou por uma tática mais ampla de alianças. Até o Movimento Esquerda Socialista (MES), da deputada Luciana Genro, aliou-se com PV, que em vários estados integra a oposição liberal-conservadora – em São Paulo, por exemplo, apóia o demo Kassab. Já o PSTU, totalmente avesso às alianças, espinafrou o seu antigo parceiro. Num documento público, criticou a direção do PSOL, que “realiza coligações com os partidos burgueses, que inclusive integram a base de sustentação do governo Lula”. O PCB, por sua vez, manteve a sua trajetória errática e preferiu demarcar posições, lançando candidatos próprios e sem densidade eleitoral.

A ausência de tática política

O resultado final deverá gerar acirrados debates no interior dos três partidos. O PSOL, que teve enorme visibilidade na sucessão presidencial, não elegeu prefeitos e fez apenas oito vereadores em capitais. Heloísa Helena, símbolo da “frente de esquerda”, teve 29 mil votos e será vereadora em Maceió. Já o PSTU não elegeu sequer vereadores. Até agora, o seu site não divulgou balanço crítico da sua campanha. E o PCB retrocedeu, perdendo alguns mandatos. Prevendo o desastre, a sua executiva nacional emitiu um comunicado enigmático: “Independentemente dos resultados matemáticos e eleitorais dos nossos candidatos, a nossa campanha foi vitoriosa politicamente”.

Outro importante setor de esquerda, não partidário e inserido nos movimentos sociais, optou pelo abstencionismo. O MST, por exemplo, desautorizou seus militantes a se candidatarem. Ricardo Gebrim, da Consulta Popular, critica os partidos de esquerda que investem no processo eleitoral. Para ele, as eleições despolitizam a sociedade e só “discutem no âmbito administrativo, do tipo construir pontes... Não houve, nesta campanha, a discussão sobre projetos de governo”. O risco desta análise, feita por lutadores combativos, é que ela desarma a militância, não dá alternativas táticas e reforça o ceticismo. Desta forma, joga os movimentos sociais no isolamento político.


Fonte: Blog do Miro

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© 2008 Por Giovane D. Zuanazzi , Douglas T. Finger